sábado, 30 de maio de 2009

JUSTIÇA, INJUSTIÇA...


"Dizem que uma injustiça é, por natureza um bem, e sofrê-Ia, um mal, mas que ser vítima de injustiça é um mal maior do que o bem que há em cometê-Ia. De maneira que, quando as pessoas praticam ou sofrem injustiças umas das outras, e provam de ambas, lhes parece vantajoso, quando não podem evitar uma coisa ou alcançar a outra, chegar a um acordo mútuo, para não cometerem injustiças nem serem vítimas delas. Daí se originou o estabelecimento de leis e convenções entre elas e a designação de legal e justo para as prescrições da lei. Tal seria a génese e essência da justiça, que se situa a meio caminho entre o maior bem — não pagar a pena das injustiças — e o maior mal — ser incapaz de se vingar de uma injustiça. Estando a justiça colocada entre estes dois extremos, deve, não preitear-se como um bem, mas honrar-se devido à impossibilidade de praticar a injustiça. Uma vez que o que pudesse cometê-Ia e fosse verdadeiramente um homem nunca aceitaria a convenção de não praticar nem sofrer injustiças, pois seria loucura. Aqui tens, ó Sócrates, qual é a natureza da justiça, e qual a sua origem, segundo é voz corrente.
Sentiremos melhor como os que observam a justiça o fazem contra vontade, por impossibilidade de cometerem injustiças, se imaginarmos o caso seguinte. Dêmos o poder de fazer o que quiser a ambos, ao homem justo e ao injusto; depois, vamos atrás deles, para vermos onde a paixão leva cada um. Pois bem! Apanhá-lo-emos, ao justo, a caminhar para a mesma meta que o injusto, devido à ambição, coisa que toda a criatura está por natureza disposta a procurar alcançar como um bem; mas, por convenção, é forçada a respeitar a igualdade. E o poder a que me refiro seria mais ou menos como o seguinte: terem a faculdade que se diz ter sido concedida ao antepassado do Lídio [Giges]. Era ele um pastor que servia em casa do que era então soberano da Lídia. Devido a uma grande tempestade e tremor de terra, rasgou-se o solo e abriu-se uma fenda no local onde ele apascentava o rebanho. Admirado ao ver tal coisa, desceu por lá e contemplou, entre outras maravilhas que para aí fantasiam, um cavalo de bronze, oco, com umas aberturas, espreitando através das quais viu lá dentro um cadáver, aparentemente maior do que um homem, e que não tinha mais nada senão um anel de ouro na mão. Arrancou-lho e saiu. Ora, como os pastores se tivessem reunido, da maneira habitual, a fim de comunicarem ao rei, todos os meses, o que dizia respeito aos rebanhos, Giges foi lá também, com o seu anel. Estando ele, pois, sentado no meio dos outros, deu por acaso uma volta ao engaste do anel para dentro, em direcção à parte interna da mão, e, ao fazer isso, tornou-se invisível para os que estavam ao lado, os quais falavam dele como se se tivesse ido embora. Admirado, passou de novo a mão pelo anel e virou para fora o engaste. Assim que o fez, tornou-se visível. Tendo observado estes factos, experimentou, a ver se o anel tinha aquele poder, e verificou que, se voltasse o engaste para dentro, se tornava invisível; se o voltasse para fora, ficava visível. Assim senhor de si, logo tratou de ser um dos delegados que iam junto do rei. Uma vez lá chegado, seduziu a mulher do soberano, e com o auxílio dela, atacou-o e matou-o, e assim se assenhoreou do poder.
Se, portanto, houvesse dois anéis como este, e o homem justo pusesse um, e o injusto outro, não haveria ninguém, ao que parece, tão inabalável que permanecesse no caminho da justiça, e que fosse capaz de se abster dos bens alheios e de não lhes tocar, sendo-lhe dado tirar à vontade o que quisesse do mercado, entrar nas casas e unir-se a quem lhe apetecesse, matar ou libertar das algemas a quem lhe aprouvesse, e fazer tudo o mais entre os homens, como se fosse igual aos deuses. Comportando-se desta maneira, os seus actos em nada difeririam dos do outro, mas ambos levariam o mesmo caminho. E disto se poderá afirmar que é uma grande prova de que ninguém é justo por sua vontade, mas constrangido, por entender que a justiça não é um bem para si, individualmente, uma vez que, quando cada um julga que lhe é possível cometer injustiças, comete-as. Efectivamente, todos os homens acreditam que lhes é muito mais vantajosa, individualmente, a injustiça do que a justiça. E pensam a verdade, como dirá o defensor desta argumentação. Uma vez que, se alguém que se assenhoreasse de tal poder não quisesse jamais cometer injustiças, nem apropriar-se dos bens alheios, pareceria aos que disso soubessem muito desgraçado e insensato. Contudo, haviam de elogiá-lo em presença uns dos outros, enganando-se reciprocamente, com receio de serem vítimas de alguma injustiça. Assim são, pois, estes factos.
Quanto à escolha, em si, entre as vidas de que estamos a falar, se considerarmos separadamente o homem mais justo e o mais injusto, seremos capazes de julgar correctamente. Caso contrário, não. Qual é então essa separação? É a seguinte: nada tiremos, nem ao injusto em injustiça, nem ao justo em justiça, mas suponhamos que cada um deles é perfeito na sua maneira de viver. Em primeiro lugar, que o injusto faça como os artistas qualificados — como um piloto de primeira ordem, ou um médico, repara no que é impossível e no que é possível fazer com a sua arte, e mete ombros a esta tarefa, mas abandona aquela. E ainda, se vacilar nalgum ponto, é capaz de o corrigir. Assim também o homem injusto deve meter ombros aos seus injustos empreendimentos com correcção, passando despercebido, se quer ser perfeitamente injusto. Em pouca conta deverá ter-se quem for apanhado. Pois o supra-sumo da injustiça é parecer justo sem o ser. Dêmos, portanto, ao homem perfeitamente injusto à mais completa injustiça; não lhe tiremos nada, mas deixemos que, ao cometer as maiores injustiças, granjeie para si mesmo a mais excelsa fama de justo, e, se acaso vacilar nalguma coisa, seja capaz de a reparar, por ser suficientemente hábil a falar, para persuadir; e, se for denunciado algum dos seus crimes, que exerça a violência, nos casos em que ela for precisa, por meio da sua coragem e força, ou pelos amigos e riquezas que tenha granjeado. Depois de imaginarmos uma pessoa destas, coloquemos agora mentalmente junto dele um homem justo, simples e generoso, que, segundo as palavras de Ésquilo, não quer parecer bom, mas sê-lo. Tiremos-lhe, pois, essa aparência. Porquanto, se ele parecer justo, terá honrarias e presentes, por aparentar ter essas qualidades. E assim não será evidente se é por causa da justiça, se pelas dádivas e honrarias, que ele é desse modo. Deve pois despojar-se de tudo, excepto a justiça, e deve imaginar-se como situado ao invés do anterior. Que, sem cometer falta alguma, tenha a reputação da máxima injustiça, a fim de ser provado com a pedra de toque em relação à justiça, pela sua recusa a vergar-se ao peso da má fama e suas consequências. Que caminhe inalterável até à morte, parecendo injusto toda a sua vida, mas sendo justo, a fim de que, depois de terem atingido ambos o extremo limite, um da justiça, outro da injustiça, se julgue qual deles foi o mais feliz. "

Platão.

Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira

Adaptação de Vítor João Oliveira

Retirado de República. Lisboa: Gulbenkian, 4ª ed., 1983, pp. 55-60

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Novamente os Louvores...


Um dever geral do Srs. funcionários e agentes da PSP é: «Usar de moderação e compreensão no trato com os subordinados, tanto em serviço como fora dele, procurando impor-se ao respeito e estima dos mesmos através de um comportamento justo.», Lei n.º 7/90.
Nós aqui não reinvindicamos o direito de reclamar e afirmar que estes não são justos, depende da perspectiva, mas, para haver estes louvores e na ocasião em que são dados, talvez, só talvez, se estes são verdadeiros exemplos a seguir, o que dizer dos demais funcionários e agentes?!...

sexta-feira, 22 de maio de 2009






Aos polícias do Comando Distrital de Viseu que ontem não ficaram em casa, que, ontem, dia 21 de Maio de 2009, sacrificaram horas de repouso, as suas folgas, ou dias de férias, ou baldaram-se ao serviço, para poder estar em Lisboa, um bem haja.



Como dos fracos não rezam boas histórias, para aqueles que dizem sempre que não podem ir porque " não têm direito a dias", para aqueles que mensalmente gozam religiosamente os créditos sindicais mensais e ontem não puseram lá os pés, REFLICTAM.

sábado, 16 de maio de 2009

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

NOVO ANO, VIDA NOVA. FELIZ 2009. ASPP SEMPRE.


A ASPP DE LAMEGO DESEJA A TODOS OS SEUS SÓCIOS, FAMILIARES, VISITANTES E A TODOS OS ANIMAIS RACIONAIS UM BOM ANO DE 2009.
PARA OS ANIMAIS IRRACIONAIS QUE DEUS LHES DÊ O DOBRO DAQUILO QUE ELES DESEJAREM PARA OS ANIMAIS RACIONAIS!...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

ACONTECEU EM VISEU.

Escutar bem o comentador!...

" Seriam mais de mil e quinhentos alunos..., e pouco mais de uma dezena de polícias..."

sábado, 13 de dezembro de 2008

MISERAVEIS POLICIAS.



Num cenário destes, onde a anarquia impera, os instintos animalescos dominam, onde os polícias são usados, quer pelo poder politico quer como alvo dos inergúmenos, atiram-lhes pedras, paus, agredirem-nos e deitam-lhes fogo. Que hipóteses tínhamos nós?!... Em Portugal, com os meios que temos, numa situação destas, que garantias temos?!...

Portugal é um Povo sereno, tranquilo, protesta muito, mas luta pouco.

Se um dias as coisas aquecerem da forma como se viu na França e agora se vê na Grécia, estaremos nós preparados?! Os nossos uniformes, o equipamento standard, vulgo uniformes em uso (excepto UEP), não possuem características para aguentar isto como todos nós sabemos?

E, alguém se importa.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

... POLÍCIA TRANSFORMADO EM PALHAÇO...


Com esta é que nós não esperavamos: "(...) o polícia está transformado num palhaço. Porque prende hoje um individuo, leva-o para a esquadra e ele passada meia-hora está a rir-se da cara do polícia." - Hau.

Finalmente alguém, politico, diz uma coisa acertada!...


ver a notícia aqui: RTP

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

PORQUE RAZÃO SE SUICIDAM OS POLICIAS?

Ano negro na PSP e GNR. Uma militar da GNR deu ontem um tiro na cabeça, aumentando para 14 os suicídios este ano nas forças de segurança. Agentes que já desejaram a morte contam ao DN as suas razões. Os polícias recorrem cada vez mais a psicólogos e a GNR procura causas junto de pessoas próximas das vítimas.Tinha 26 anos e apenas quatro meses de serviço na GNR da Mealhada. Solteira, vivia com os pais perto do posto militar, onde ontem de manhã se suicidou com um tiro na cabeça. É o 14.º caso entre as forças policiais este ano.
As razões são desconhecidas, mas alguns dos que tentaram pôr termo à vida relataram ao DN o que os levou a desejar a morte."Os polícias não sabem como sair deste buraco em que se encontram, com tantos problemas financeiros por terem salários muito baixos, trabalho em excesso, falta de tempo para descansar nem acompanhar o crescimento dos filhos. E não têm apoio da instituição PSP nem da família, que deixa de os querer por estarem sempre ausentes. Acabam por ficar sozinhos."
Maria (nome fictício, tal como o dos restantes agentes nesta reportagem), elemento operacional da PSP já há 25 anos, diz ser tudo isto que está na origem da onda de suicídios que este ano mancharam a GNR (11 casos) e a PSP (três). E deixa um alerta: "Infelizmente, ainda vai haver mais situações destas, porque pensam que o suicídio resolve todos os problemas. Acaba-se tudo..."Maria "Porcaria à face da terra""Como é que se percebe estes casos todos de suicídio e de conflitos familiares que acabaram em homicídios praticados por profissionais de polícia?", pergunta Maria, referindo-se a uma agente da PSP que seria vítima de maus tratos e, em Setembro, em Sacavém, matou a tiro o marido ex-polícia. Num tom envergonhado, Maria relata o seu caso ao DN: "Eu própria já me tentei suicidar. Foi há muitos anos, porque era vítima de violência por parte do meu marido, também polícia, pois achava que eu lhe era infiel. Como estão sempre a lidar com casos de infidelidade, os polícias tornam-se desconfiados e pensam que se pode passar o mesmo em casa.""Eu ficava tão humilhada com aquilo que nem tinha forças para reagir. Uma pessoa sente-se a maior porcaria à face da terra. Por isso, entendo bem estas situações e apoio bastante as mulheres que apresentam queixa", confessou.De baixa psiquiátrica há mais de um mês, Maria diz não voltar ao serviço enquanto não estiver em condições: "Trabalho no terreno e não posso tomar decisões erradas. Estamos a lidar com armas, criminalidade violenta, bairros problemáticos, situações muito delicadas. Este trabalho exige sanidade mental a 100%. Muita gente depende da minha capacidade de resposta.""Sinto-me muito fragilizada como pessoa e profissional. Mas foi a própria instituição que me levou a isto, porque não dá incentivos. Nem que fosse só por palavras para reconhecer o trabalho que se fez e dar apoio moral às pessoas", referiu.Com os olhos rasos de lágrimas, lembrou ter trabalhado dois anos com crianças vítimas de violação: "Isso afecta psicologicamente uma pessoa. E a PSP não vê isso. Só demonstra falta de respeito. É isso que me revolta. Retirarem o valor de uma pessoa. Não consigo aceitar isto.""Já dei muito à polícia e a polícia a mim deu- -me zero. Foi aqui que aprendi a ser mulher. Dei a minha vida toda à PSP. E pela PSP deixei de dar atenção à família e aos filhos. Tudo para defender a bandeira nacional e a minha farda", diz, com uma tristeza no olhar. Desiludida, frisa que "o sonho comanda a vida. E quando uma pessoa deixa de ter sonhos, a vida deixa de fazer sentido"."Eu perdi todos os amigos que tinha antes de entrar para a PSP, porque deixou de haver tempo para manter essas amizades. Há um corte com o mundo civil e em toda a vivência. Aos polícias só restam os polícias. Não há horas para comer, dormir nem para nada. Faço um turno, mas pode-se prolongar por mais de sete horas se houver uma detenção ou outra ocorrência", explica."Estamos em situação de stress extremo. E a realidade actual é muito mais violenta do que aquilo tudo que nos ensinaram na escola de polícia", salienta. Critica a ideia feita que "se és polícia, tens de ser forte em todos os aspectos. Mas isso não é verdade. Somos humanos e temos os nossos limites, como as outras pessoas".Queixa-se que "não há apoio na corporação nem no exterior, porque a sociedade civil cada vez exige mais de nós"."Temos um gabinete de psicologia que trabalha para a polícia, mas não com os polícias", denuncia Maria. E deixa um alerta: "Cada pessoa que pede apoio psicológico fica automaticamente queimada e à mercê da instituição."Por isso, "estou a ser acompanhada pelo psicólogo e psiquiatra particulares. Eles estão também a tratar imensos elementos da PSP com muitos problemas. Há muitos agentes que não vivem, só sobrevivem, porque não têm tempo livre nem dinheiro. Só ganham 700 ou 800 euros por mês".Alerta que "começa a haver uma revolta silenciosa entre os polícias. Há agentes com meia dúzia de meses na PSP, que já estão tão desanimados com isto, que só desejam arranjar outro emprego e largar a PSP. Na minha esquadra, já ouvi mais de 40 agentes novos a dizerem isso".
João"Preso como um animal""Tenho 30 anos de PSP e nunca vi uma situação igual com tantos suicídios." Quem o diz é João, que já se encontra de baixa psiquiátrica desde 2005 e tentou suicidar-se no Outono de 2007. "Entrei em baixa psiquiátrica pelo grande desgaste em que me encontrava. Entretanto, foi-me detectada doença bipolar e a corporação não me ajuda em nada. Por isso, muitos como eu tentam pôr termo à vida", refere João, que tem uma certeza: "Se pudesse voltar atrás, não teria ingressado na PSP."Em 2007, a junta médica superior da PSP considerou-o "apto para retomar o serviço", enquanto a sua psiquiatra particular dizia que não estava em condições: "Fiquei muito transtornado com aquilo tudo. Estava em casa e não sei o que me passou pela cabeça. Ingeri grandes quantidades de medicamentos. Senti-me muito mal e, quando me dirigi à esquadra para pedir auxílio, peguei numa coisa qualquer e parti as vidraças das instalações.""Detiveram-me por danos voluntários. Estive oito horas detido na esquadra e algemado como se de um bandido se tratasse. Fui levado a tribunal e constituído arguido por ter feito um prejuízo de 190 euros", contou João, considerando "inadmissível" a situação: "Em vez de me ajudarem, porque estava mal psicologicamente, fui detido e tratado como um animal irracional. Se o mesmo tivesse sucedido com um cidadão comum, ele teria sido assistido e conduzido aos serviços médicos.""Não recorro aos serviços de psicologia da PSP, porque não confio neles. É um sistema que tem de ser remodelado para trabalhar para e com os polícias e não apenas para a PSP", sublinha o agente.E denuncia outra situação que classifica de grave: "Estamos a ser julgados por duas entidades, que é o tribunal e a própria instituição. Há cerca de 50 processos internos pendentes contra mim.""Sinto que a minha vida desapareceu. Perdi a minha família, os meus amigos. Tive de vender a casa para pagar aos advogados", queixa-se João.Manuel"Dar um tiro na cabeça""Estive de baixa psicológica durante um ano, devido a pressões da hierarquia. Puseram-me o telemóvel em escuta e descobri que estava a ser investigado", conta Manuel, com 23 anos de serviço operacional na PSP."Prejudicavam-me nas escalas, trocavam-me turnos e folgas, ficava sem tempo para a família, nem para a mulher nem para o filho. Sentia-me tão mal, que só queria abandonar a polícia e arranjar outro trabalho", confessou ao DN."Até cheguei a pensar em fechar-me na casa de banho da minha esquadra e dar um tiro na cabeça, porque aquilo poderia ser considerado acidente em trabalho. Assim, a mulher tinha direito a receber uma pensão e a casa ficava paga pelo seguro", explicou o mesmo agente."Na zona onde moro, a população é que se foi apercebendo de que havia algum problema comigo. Deram-me apoio, porque a minha mulher precisava de ser internada no hospital. Pedi ajuda aos serviços sociais da PSP e não fizeram nada. Os vizinhos é que me emprestaram dinheiro para ela poder ser tratada", recordou, deixando uma crítica: "Quando há um assalto, vou sempre a correr para tomar conta da situação. E a instituição não nos ajuda."Em termos salariais, diz que "é triste não poder comprar uns ténis ou umas calças ao filho, porque tem um pai que é polícia e ganha mal".Quanto ao gabinete de psicologia da PSP, "faz relatórios contra mim e a favor da instituição. Por isso, tenho de recorrer à psicóloga particular", salienta, denunciando mais outro problema: "Antigamente, éramos recrutados e sabíamos que tínhamos uma carreira e podíamos concorrer e progredir. Agora não. É preciso estar nas boas graças do chefe, senão nunca se sobe..."José"Antecâmara da morte"José já presta serviço operacional na PSP há 23 anos e é considerado um veterano que sabe lidar com situações de risco de suicídio. "Tenho servido de elo de ligação entre eles - os colegas que pensam em suicidar-se - e as soluções dos seus problemas", explicou ao DN, alertando que "tem aumentado assustadoramente o número de casos destes"."E a principal razão é a falta de descanso. Os polícias ganham mal e, para terem mais algum dinheiro, têm de fazer serviços gratificados, ficando sem tempo para descansar", denuncia."No outro dia, elementos do meu grupo entraram de serviço às 00.30. Às 04.30 detiveram três indivíduos por assalto a vários estabelecimentos comerciais e depois estiveram a fazer o expediente até às 21.30, porque aquilo era complicado e envolvia uma série de casos. Depois voltaram a pegar ao serviço à meia-noite até às 06.30. Às 10.00 tiveram de ir para tribunal com os suspeitos e aquilo prolongou-se até às 19.00. Portanto, estiveram praticamente dois dias seguidos a trabalhar sem descanso", relatou.Salienta que "a PSP não paga horas extras nem nada. Tiveram de almoçar e jantar fora pagando do seu bolso, enquanto as mulheres estavam em casa à espera deles com as refeições já cozinhadas"."Estes e outros problemas vão-se acumulando e chega-se a um ponto em que a pessoa começa a descarregar no elo mais fraco e mais próximo, que é a família. Ou termina no suicídio, porque não vê outra saída", comenta o mesmo agente da PSP.José traça o filme que culmina nesta tragédia: "O polícia vê o comandante a criticá-lo por se atrasar ou andar cansado. A família a queixar-se e a sociedade a exigir cada vez mais dele. Vai-se encolhendo mais e mais e acaba por se colocar na antecâmara da morte."Na última semana de Setembro, "um sub-chefe de Oeiras tentou suicidar-se. Ia lançar-se de uma falésia do cabo da Roca (Sintra). Felizmente, uma patrulha da GNR passou ali por acaso e evitou o suicídio. Ficou de baixa psiquiátrica".O mesmo agente considera que "antigamente, os polícias tinham mais capacidade de sofrimento. Mas, agora, os novos são mais frágeis e vulneráveis a nível psicológico. Vão-se abaixo mais facilmente".Pedro"Bomba de rastilho curto""O grande stress laboral de sobrecarga de trabalho é uma das principais causas que está a levar muitos agentes à baixa médica, a recorrer às consultas, a tentar o suicídio e a cometer violência doméstica", afirmou ao DN um elemento do Sindicato dos Profissionais de Polícia, que fez um estudo sobre esta problemática.Na origem destas crises, Pedro diagnosticou também "os baixos salários, falta de progressão na carreira e deficiências no gabinete de psicologia da PSP, que é uma fachada, porque só funciona depois de as desgraças acontecerem. Deviam era tomar medidas de prevenção para não sucederem"."Não há horário de trabalho estipulado", referiu, dando exemplos: "Num dia, o meu horário era das 08.00 às 16.00. Ligaram na véspera, às 16.00, a informar que, afinal, no dia seguinte só iria entrar às 21.00. Tive de reorganizar toda a minha vida. Noutro caso, dois elementos iam entrar às 16.00, mas mudaram-lhes o turno para as 18.00 sem os avisarem. Tiveram de ficar duas horas na esquadra à espera de entrar ao serviço."Com estas alterações todas, Pedro explica que "por vezes há polícias que só dormem uma ou duas horas, porque, além do horário normal, têm de fazer serviços gratificados e operações de noite e madrugada".Esclarece que "a resolução destes problemas de turnos não implica mais dinheiro nem gastos. Basta regulamentar os horários para permitir aos polícias terem uma vida social".Alerta que "os agentes mais novos vêm lá das terras deles e ficam em Lisboa abandonados. Um vivia num quarto com um colega. Só conseguia ir a casa uma vez por mês. Entretanto, o colega casou-se e mudou de casa. O outro ficou sozinho e não aguentou a solidão. Tentou suicidar--se na rua. Estava num banco de jardim com uma pistola na mão. Polícias encontraram-no, desarmaram-no e depois ele foi colocado de sentinela à porta da esquadra. Não teve apoio do comando nem acompanhamento psicológico. Mais tarde, voltou a ser considerado apto e devolveram-lhe a arma de serviço. No dia seguinte foi encontrado morto com um tiro na cabeça, no quarto onde vivia sozinho".Salienta que "há um número muito maior de situações mais graves que os suicídios: os casos de violência doméstica praticados por polícias. E a dor das suas vítimas vai-se prolongando por muito tempo". Na sua opinião, "um polícia é uma bomba com rastilho curto. Quando chegam ao limite, uns dá-lhes para se suicidarem e outros para agredirem em casa".Conclui que "tentar prevenir a criminalidade com polícias que trabalham 24 horas por dia não é sistema. Estão a trabalhar em cansaço e sem condições para o fazer".
FONTE: DIÁRIO NOTICIAS
BY CAPTOITA

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

FIM DO REGABOFE

Neste sitio muitos comentadores, alguns facilmente identificáveis e localizáveis, tem orientado as suas criticas contra o pessoal das brigadas à civil da PSP de Lamego, usando e abusando deste ponto de encontro, ou espaço de convívio, para descarregar o ódio de estimação que têm bem guardado no intimo contra as pessoas atingidas, descarregando aqui dessa forma todo o veneno que os invade através de comentários indelicados e ofensivos, aproveitando-se assim desta saída anónima, porque não têm coragem de enfrentar as pessoas que pretendem atingir olhos nos olhos.
Ora, a gestão deste blogue desde o inicio sempre quis dar liberdade de opinião aos visitantes quer fossem sócios ou não, mas face à pouca vergonha e falta de ética de alguns, a partir de hoje, até ao encerramento (apagamento) deste sitio, todos os comentários são admitidos com a condição que todos vão verificar.
Acabou-se o regabofe... e tanto nos importa que nos visitem ou não.
Isto também está para acabar!...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

PRECISA-SE DE MAGALHÃES EM LAMEGO



Este tipo de computador chama-se "Magalhães" e parece que o Governo anda a oferece-lo nas escolas a todas crianças que estudam no País, a preço de saldo. Ora, a PSP de Lamego, como actualmente tem menos de 10 computadores operacionais - imaginem menos de 10 - dizem que devido à miserável arte de pedir a quem de direito, e porque os ditos responsáveis hoje já cá não estão e não podem responder por tamanha incompetência, ou melhor por tamanha miséria de visão, a ASPP agradecia ao Sr. Ministro, ou a alguma alma caridosa que, rapidamente, resolva este absurdo oferecendo também uns "magalhões" à Esquadra de Lamego de modo que o pessoal ali possa trabalhar com dignidade oferecendo um bom serviço ao cidadão que ali se desloca. Mandar pessoas para "casa" com a desculpa de que não existem computadores disponiveis é forte, muito forte.

Dizem que há pessoal na Investigação Criminal e no Trânsito que tem de esperar numa fila de espera para utilizar um único terminal e quando se senta ainda sente a cadeira "quentinho"...

E estando nós a falar dum serviço em quase tudo tem de passar computadores, num universo de 5o funcionários, imaginem ...

Incrível!... Contado, ninguém acredita. Querem apostar?

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

SUSPIRO QUASE FINAL.

Afinal que força misteriosa é essa que parece existir para conseguir retirar a esperança do Blogue não resistindo às tentações dos Diabretes.
PAZ A ALMA DO BLOGUE
Descansa em Paz.