quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

as aparências iludem...

Naquele dia, como sempre, de calções curtos, t-shirt, mochila preta às costas, ténis azuis, entrei no banco e dirigi-me ao balcão com um conjunto de olhos fixados no meus perfil.Ah, de boné... vermelho!
Na caixa apresentei-me com a minha caderneta e com olhares discretos mas desconfiados fui encaminhado para um colaborador do banco, uma cara completamente desconhecida.
Na frente dele, o homem, sentado a teclar as teclas do computador, nem respondeu ao meu "boa tarde" e enquanto me olhava de soslaio e virava o visual daquele quarentão quase cinquentão com vestuário à jovem barbudo, meio desconfiado, ora olhava para os papeis, ora para o ecrã do monitor do computador, ora para mim. Ao fim de uns segundos, sentei-me! Fiz-me de convidado. E, pronto ali estivemos os dois, certamente um a dois minutos, em silêncio até que o homem provou afinal que falava... português! «Então o que deseja». «Boa tarde!», repeti. Rapidamente, não sou burro..., apercebi que o meu "look" tinha induzido no pensamento do trabalhador, um juízo diferente, e, então, não tivesse tido aulas de expressão dramática e teatro há muitos anos atrás, entrei no "filme de coitadinho". Assim lá disse ao sr. que tinha ali naquele banco uns trocos e gostaria de saber quando terminava o vencimento da conta, mas antes de explicar mais, face ao desinteresse e esforço do homem em me querer atender, enquanto isso desfazia-se em sorrisos para um cliente dos tribunais conhecido sobre "existência de bens", quem não sabe, são aqueles senhores, podemos ser qualquer um de nós, que é alvo de penhoras, solicitadores, dividias, etc...
Bem entreguei a caderneta ao homem e recostei-me para trás na cadeira tipo à patrão, com a pala da boina virada para trás. Se aquilo era para ser assim, então continuasse a comédia.
O homem a custo, pega na caderneta, digita uns números e... os olhos ficam abertos, suspende a respiração, um rumor vermelho assalta as faces, endireita-se na cadeira, o discurso de arrogante, irónico passa para o harmonioso, lambe botas, e delicado disse " ah! não sabia que era cá nosso cliente... enquanto virava a conta". Entretanto, entra a "gestora de conta" que de sorriso da face a face me faz a vénia de cumprimentar com um aperto de mão, e, lá sussurra algo ao ouvido do homem.
O homem, desfaz-se em mil pedidos de desculpa, não o humilhei nem reagi, indiferente, ouvi aquilo que tinha para ouvir, levantei-me, ele esticou-me a mão para cumprimentar e dei-lhe a minha, saí e continuei. Na semana passada, levantei o dinheiro todo e está noutro banco.
Levo este texto a vocês que o quiserem ler apenas com uma finalidade, porque quem me conhece, sabe o meu método de trabalho, quem me viu crescer sabe como sou e sei estar, por isso sabe quem é o JESUS ou o sr. SANTOS, independentemente de como se veste.
Para esses continuem porque serão sempre merecedores dos meus esforços e respeito, para os outros, cuidado, as aparências iludem! E, saem bastante caras.



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