Naquele
dia encontrava-me na rua no serviço de brigada de serviço
permanente quando recebemos uma ordem directa,via rádio, para nos
deslocarmos à esquadra. Chegados à esquadra, alguém se nos dirige
e diz assim: «o rebenta suicidou-se. Está no quarto dele!».
Subimos
na direcção do compartimento quando ainda nas escadas somos
surpreendidos com uma voz feminina, a chorar, em desespero, com as
palavras soltas: « assassínios! Seus assassínios. Vocês
mataram-no».
Como se em transe, o sistema nervoso a subir de rotação, aquela ansiedade do que se ia ver, ao cimo estava o X, em pânico, não dizia palavra com palavra, no corredor o Y diz «está no quarto» e no acesso ao quarto, estava o W.
Na parte de fora da entrada do quarto, observo no interior um corpo no chão, imenso liquido à sua volta, um liquido tipo gel vermelho, alaranjado amarelado, uma arma Walter e a cabeça, parte da cabeça… desloquei o olhar para longe da cara e observei o interior, que não descrevo. Depois abandonei zona! «Outro»… dizia no meu intimo. Outro?! Já era o terceiro...
Contrariando ordens superiores, sugeri não estarem reunidas condições para a brigada na qual me incluía para fazer a inspeção e recolha das provas, além do mais o crime praticado com arma de fogo era da competência da PJ. Assim, adoptamos as medidas cautelares de policia de preservação do local do crime. Mas a área não estava limpa… pegadas de bombeiros, e outros.
A policia judiciária chegou e fez o seu trabalho.
No dia seguinte, o corpo do Comissário, desceu à TERRA.
Dirão,
porque isso hoje?
Bem… faz exactamente hoje anos que se suicidou. Matou-se no dia 13 de setembro de 2005, num quarto pequeno, ao fim de um corredor pequeno e escuro, nas instalações da policia de segurança publica de lamego.
Treze
anos depois, não é público o resultado criminal do inquérito.
Mas
pergunto: porque razão, a noite passada, a sonhar o “rebenta”
apareceu no meu sonho?!… Porque razão apareceu a pedir-me
«Justiça»!
Carregou o “Morto” toda a CULPA que motivou a “desonra” e a saída para o suicídio!
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