Decido-me, hoje, a escrever uma letras.
Prometo que vou escrever pouco, tal como diz a minha mulher, escreves muito e isso cansa. Vamos lá.
É habitual ouvir nas televisões - Miguel Sousa Tavares é um deles -, a dizer que um policia, seja PSP, PJ, GNR, é um vulgar funcionário público portanto, não pode ter "excepções" positivas, na pré-aposentação e na aposentação.
Ora, vou desmontar estas inteligências, não com opiniões suportadas em preconceitos e ideias próprias como os comentadores e críticos fazem, mas com factos. Com experiência pessoal...
Ao entrar na psp, corria o ano de 1992, decidi abdicar de outros objectivos e centrar-me nas regras que o Estado, a PSP, me exigiu. Fiz provas físicas, provas escritas, médicas e testes psicotécnicos. Aprovado, fui admitido ao curso e formação e frequentei um curso em Torres Novas - Santarém, em regime interno, tipo militar, com faxina e aulas teóricas e práticas. Por isso comparar a minha formação para o quadro de policia e um vulgar quadro com um curso superior, onde podiam entrar coxos, cegos, surdos, altos e baixos, gordos e magros é mau exemplo e prova de ignorância e má fé. Resumindo, para ser "policia" abdiquei de um curso superior e optei então pela PSP, com regras estabelecidas num contrato como qualquer outro funcionário privado ou publico aceita quando toma a decisão de fazer um contrato com uma entidade patronal.
Durante estes 26 anos e meio, posso afirmar, aqui, e provar no futuro (guardo as agendas e bloco de apontamentos), que fiz turnos de 19 horas seguidas, ora em pé, ora sentado, sem fechar os olhos e tendo como alimentação umas barras de MARS, NUTS e outros... as necessidades básicas na esquina e de muitas das vezes de tão cansado estar, ter visto e reagido a coisas que não existiam. Alucinações...
E, de nada valia a pena reclamar para o subchefe... a seguir faziam pior... o que a lei determinava «disponibilidade permanente para o serviço», servia para tudo, para aquela gente que apanhei que se vingavam de forma "legal" nos que "tinham os olhos mais abertos".
Quando deitado numa cama, em dito período de folga ou repouso, acordava aos saltos, porque apesar de estar de folga, o telefone tocava... e lá tive de ir... trabalhar ou ao "tapete" para conversar - levar pissada-, do cmdt da divisão. Contudo, fo final do mês, no mapa de horários, para memória futura, fiz as horas legalmente previstas: no mímimo 150 horas, mensais. Nem 200, nem 300... as 150.
E, de nada valia a pena reclamar para o subchefe... a seguir faziam pior... o que a lei determinava «disponibilidade permanente para o serviço», servia para tudo, para aquela gente que apanhei que se vingavam de forma "legal" nos que "tinham os olhos mais abertos".
Quando deitado numa cama, em dito período de folga ou repouso, acordava aos saltos, porque apesar de estar de folga, o telefone tocava... e lá tive de ir... trabalhar ou ao "tapete" para conversar - levar pissada-, do cmdt da divisão. Contudo, fo final do mês, no mapa de horários, para memória futura, fiz as horas legalmente previstas: no mímimo 150 horas, mensais. Nem 200, nem 300... as 150.
Nessa data, 1992, tenho um livro, a PSP que ainda me diz que tenho, (tinha) direito a serviço de assistência gratuito, extensivo aos familiares, uma percentagem de 25% para efeitos de contagem de tempo, desconto nos transportes públicos, serviços sociais, etc., etc..
Trabalhei aos sábados, domingos, feriados, dia, noite, debaixo de sol, chuva, suei, passei frio, fome passei dias, Natal de 1994, cuja companhia foi um cão rafeiro, castanho... ali junto à embaixada de Espanha na Avenida da Liberdade em Lisboa, na rua! E este é apenas o primeiro exemplo da impessoalidade da hierarquia naquela altura... eles na esquadra a comer e beber e eu, ali, sozinho!
Sendo a PSP uma força de segurança, lidei com os meus problemas pessoais, em silencio mas tive sempre a abertura de dirimir problemas de colegas, dos cidadãos, e fui sempre buscar a educação, atitude e firmeza que as circunstancias de serviço o exigia. Muitas vezes, depois, pensei: «foda-se esta merda! vou deixar isto...»! Até tentei e fiz... mas havia um chamamento que à última dizia: NÃO. És a pessoa certa, no lugar certo. E cá permaneço.
Quando olho para trás, interrogo-me se mudava algo na minha vida profissional. Sim. Mudava... hoje, tinha "partido a cara" àqueles vários oficiais, subchefes que me tentaram (repito tentaram) humilhar na divisão de segurança em plena formatura... enquanto "sindicalista", não nunca como profissional, aí nunca apanhei alguém para me ensinar o quer que seja. Não, não é arrogância, é um facto. Deram-me orientações, ordens, mas só fiz o que EU tinha ou quis fazer... e sempre tive a coragem e a firmeza de tomar a iniciativa de mudar... mudar... não ficar estático... dinâmica.
Nunca fiz Greve... o Estado, a PSP nunca me pagou horas nocturnas, em feriados ou trabalho complementar (nunca fiz remunerados mais de 6 meses em 26 anos), as horas feitas além do turno normal nunca foram contabilizadas nem acrescentadas a tempo de bancos de horas, excepto quando elaborava um pequeno documento a pedir autorização - atenção fazia horas e tinha de pedir autorização - para averbar horas... que muitas vez foram negadas por inconveniente de serviço. Durante um 1 ano fiz apenas turnos nocturnos... ao preço dos diurnos. Tive doenças, paguei em hospitais privados... resultantes do trabalho. Trabalho como funcionário da PSP ao serviço do Estado.
Não! Não vou admitir a ninguém que me compare a um vulgar funcionário público que não trabalhou com as condições de trabalho que eu, eu que nunca para comigo tiveram respeito por direitos que "eles" tiveram, e tem, eu sem poder usufruir desses direitos e liberdades, que nunca tive acesso por força desse contrato feito em 1992. Não, não vou admitir e tudo farei o que for necessário para lutar, se necessário for usar a "acção directa" ou o "direito de resistência", previstos no código civil e constituição. Já passou o tempo, não irei lamentar que políticos, que egoístas, me comparem, hoje, esquecendo o meu esforço no passado. A minha profissão exigiu de mim e cumpri. Para a frente está na hora de exigir da PSP o respeito, consideração e reconhecimento pelo meu esforço em pró de todos nós.
Por isso, preparem-se senhores titulares de cargos políticos e superiores hierárquicos (os tais de pensamento superior) porque eu nunca fui trabalhador do MAI, nem das Finanças.
E fui e sou psp, funcionário da PSP.
Por isso, eu não estarei agarrado ao lugar e não vou lamentar ou mendigar um direito. Eu, estou pronto para LUTAR! Aliás... sempre estive pelos meus direitos.
Não! Não vou admitir a ninguém que me compare a um vulgar funcionário público que não trabalhou com as condições de trabalho que eu, eu que nunca para comigo tiveram respeito por direitos que "eles" tiveram, e tem, eu sem poder usufruir desses direitos e liberdades, que nunca tive acesso por força desse contrato feito em 1992. Não, não vou admitir e tudo farei o que for necessário para lutar, se necessário for usar a "acção directa" ou o "direito de resistência", previstos no código civil e constituição. Já passou o tempo, não irei lamentar que políticos, que egoístas, me comparem, hoje, esquecendo o meu esforço no passado. A minha profissão exigiu de mim e cumpri. Para a frente está na hora de exigir da PSP o respeito, consideração e reconhecimento pelo meu esforço em pró de todos nós.
Por isso, preparem-se senhores titulares de cargos políticos e superiores hierárquicos (os tais de pensamento superior) porque eu nunca fui trabalhador do MAI, nem das Finanças.
E fui e sou psp, funcionário da PSP.
Por isso, eu não estarei agarrado ao lugar e não vou lamentar ou mendigar um direito. Eu, estou pronto para LUTAR! Aliás... sempre estive pelos meus direitos.

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