quinta-feira, 10 de agosto de 2017

É da minha e vossa vida que hoje falo - agosto de 2017

Sentado, o amigo aproxima-se e com ar cínico, pergunta-me: «mesmo de férias e andas com a arma? Vocês acham-se os maiores...». Como as consultas de psicologia, psiquiatria até estão a fazer efeito na minha gestão de emoções, nem liguei. Sentado, permaneci. O amigo, senta-se e manda vir dois cafés. "Um"- disse eu! "para mim descafeinado."
Como já não nos víamos há uns bons anos, ali estivemos a falar de "gajas", "futebol" e "carros". A conversa dos homens de "barba rija". Os outros falam de batons, roupas, lingerie, líquidos lubrificantes, das hemorróidas... Mas nós não. Aliás, falta-nos cabelo, mas a barba, apesar de branca ainda é lixa.
O pior da conversa foi o amigo regressar à questão da arma. Lá falou do caso Hernano, da "violação dos direitos dos animais" na Cova da Moura - sim direito dos animais, isso dos direitos humanos pra mim não tem significado porque somos animais. Há tantas sai-se com esta: " os policias deviam andar desarmados". "deviam ser como qualquer pessoa". Ainda lhe disse "se queria ir" ou se "queria que o mandasse ir à". Engoli em seco, a amizade já dura há cerca de 40 anos... é quase meio século.
Para não alongar-me no texto, pedi-lhe para entrar numa história, mas com seriedade e sem ironias nem gracinhas para fugir à resposta: como disse que sim, saiu esta história.

"Imagina que estás num centro comercial, de férias, acompanhado das tuas filhas e mulher. Encontras-me e cumprimentamos-nos, mas tal como hoje, observas que porto a minha arma pessoal, a minha Glock 26, por baixo da roupa. Enquanto, estamos a conversar ouves um estrondo. Observas que eu caio atingido mortalmente na testa. Vês sangue.. na tua roupa. Instintivamente, digo-te que vais ajoelhar-te ou deitar-te  no chão ou ficar estático em pé. Bloqueado. Os tiros começam a ouvir-se, novamente. Olhas para todo o lado visível observas um individuo - para não ferir susceptibilidade hoje vou dizer que é uma maluco - com uma arma semi-automática a disparar à toa ou indiscriminadamente contra tudo o que é pessoa, seja criança, mulher, homem, velho e etc. no corredor e a caminhar na tua direcção. Estou à tua frente, encostado às tuas pernas, morto, com a Glock à mostra, com carregador introduzido e municiado com 12 munições de 9 mm, pronta a ser retirada do aconsego do corpo, pegada e que seja premido o gatinho que disparará para onde for apontada o cano. O individuo aproxima-se de ti, das tuas filhas e mulher... não se vê policia e os que se vêm estão desarmados. O que vais fazer? Vais agir, reagir ou preferes morrer e ver morrer as tuas filhas?"
Resposta, "Nunca peguei numa arma. Nunca dei tiro? Deixas-me ver a tua arma?!..."

NÃO!



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