segunda-feira, 29 de maio de 2017

é da minha vida que falo - maio 2017

Na quinta feira uma cidadã fez-me uma pergunta simples: «sr. Santos, responda-me, acredita na Justiça?». Enquanto pensava numa resposta sensata para dizer, na brincadeira, respondi-lhe que naquele momento quem fazia perguntas era o policia e à senhora existia o dever de responder a todas as perguntas sobre os factos de quem tenha conhecimento directo.
A inquirição continuou…
«Não! Não acredito na Justiça, mas acredito em algumas pessoas que trabalham na Justiça.»
Surpreendida ou não, a resposta descontextualizada, porque entretanto a inquirição havia terminado e havia dado o tempo suficiente para uma resposta, a senhora sorriu e disse-me:«pensei que não me ia responder!». «Acha!» - respondi. «Não, aquilo que me disseram do sr. é que é frontal, sincero e demasiado honesto...». Esta do demasiado «honesto», deixou-me embebecido, mas adiante. Lá dei os meus argumentos, mas não convenci a srª. Ela não acredita na Justiça, nem as pessoas que trabalham na Justiça… foi claro, tal a amargura das suas palavras, cansadas de várias experiências relacionadas com uma regulação paternal, divórcio, violência doméstica.
Apesar de não acenar com um diploma de doutor, nem engenheiro, nem me arrogar chefe, oficial ou coisa que o valha, considero-me uma pessoa sensata, inteligente, interessada, motivadora, profissional, etc., etc., mas… estou exausto ou cansado!
Cansado de Querer e não Poder, cansado de me sentir impotente porque apesar da Vontade esbarro de frente com falta de meios humanos e materiais, com a pouca vontade da hierarquia política e alguma institucional, com a pouca vontade de alguns colegas que me dizem «o melhor serviço é o que fica por fazer», com a percepção da pouca vontade de colaboração prática de muitas pessoas que «eu não vi nada», «eu não sei nada», outras, «mentem...», «inventam», e, no final, os dias passam, envelheço no corpo, na mentalidade nas reacções emocionais e racionais.
Ontem, fiquei por Lamego,
Por volta das 11h00, até ao fim da tarde, levei com musica e missa emitida por colunas de som colocadas na mata dos remédios… a conduzir a minha viatura deparo-me com um palco, um obstáculo a cortar o arruamento da urbanização onde resido… e quando descia a EN 2 junto à escadaria uma fila interminável de viatura por causa de um problema de circulação de um pesado… cansado, exausto, encontrei um buraco para estacionar e estacionei. Fechei o carro e fui passear mais a mulher.
À noite, peguei no Código Penal e li... peguei em legislação especial e li… e tomei um decisão! Basta. Arrumei os livros, a capa com legislação avulsa e apaguei a luz e deitei-me.

«Não! Se não acredito na Justiça… também não acredito que isto vá dar um resultado prático de punição a alguém». Não, não vou me preocupar, nem valorizar…
Adormeci...

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