Na
quinta feira uma cidadã fez-me uma pergunta simples: «sr. Santos,
responda-me, acredita na Justiça?». Enquanto pensava numa resposta
sensata para dizer, na brincadeira, respondi-lhe que naquele momento
quem fazia perguntas era o policia e à senhora existia o dever de
responder a todas as perguntas sobre os factos de quem tenha
conhecimento directo.
A
inquirição continuou…
«Não!
Não acredito na Justiça, mas acredito em algumas pessoas que
trabalham na Justiça.»
Surpreendida
ou não, a resposta descontextualizada, porque entretanto a
inquirição havia terminado e havia dado o tempo suficiente para uma
resposta, a senhora sorriu e disse-me:«pensei que não me ia
responder!». «Acha!» - respondi. «Não, aquilo que me disseram do
sr. é que é frontal, sincero e demasiado honesto...». Esta do
demasiado «honesto», deixou-me embebecido, mas adiante. Lá dei os
meus argumentos, mas não convenci a srª. Ela não acredita na
Justiça, nem as pessoas que trabalham na Justiça… foi claro, tal
a amargura das suas palavras, cansadas de várias experiências
relacionadas com uma regulação paternal, divórcio, violência
doméstica.
Apesar
de não acenar com um diploma de doutor, nem engenheiro, nem me
arrogar chefe, oficial ou coisa que o valha, considero-me uma pessoa
sensata, inteligente, interessada, motivadora, profissional, etc.,
etc., mas… estou exausto ou cansado!
Cansado
de Querer e não Poder, cansado de me sentir impotente porque apesar
da Vontade esbarro de frente com falta de meios humanos e materiais,
com a pouca vontade da hierarquia política e alguma institucional,
com a pouca vontade de alguns colegas que me dizem «o melhor serviço
é o que fica por fazer», com a percepção da pouca vontade de
colaboração prática de muitas pessoas que «eu não vi nada», «eu
não sei nada», outras, «mentem...», «inventam», e, no final, os
dias passam, envelheço no corpo, na mentalidade nas reacções
emocionais e racionais.
Ontem,
fiquei por Lamego,
Por
volta das 11h00, até ao fim da tarde, levei com musica e missa
emitida por colunas de som colocadas na mata dos remédios… a
conduzir a minha viatura deparo-me com um palco, um obstáculo a
cortar o arruamento da urbanização onde resido… e quando descia a
EN 2 junto à escadaria uma fila interminável de viatura por causa
de um problema de circulação de um pesado… cansado, exausto,
encontrei um buraco para estacionar e estacionei. Fechei o carro e
fui passear mais a mulher.
À
noite, peguei no Código Penal e li... peguei em legislação
especial e li… e tomei um decisão! Basta. Arrumei os livros, a
capa com legislação avulsa e apaguei a luz e deitei-me.
«Não!
Se não acredito na Justiça… também não acredito que isto vá
dar um resultado prático de punição a alguém». Não, não vou me
preocupar, nem valorizar…
Adormeci...
Adormeci...

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