Há uns anos um oficial de polícia
disse-me literalmente isto:
«Não se dedique tanto à ASPP!
Esqueça… os seus colegas não merecem o seu sacrifício.»
Confesso, naquela altura levei a
mal aquele juízo do sr. Oficial, não pelo que disse, mas por ter também a certeza
de que ele tinha razão, demonstrava-me, obviamente, com outra intenção, uma
certeza que obtive logo ainda nos bancos da EPP em Santarém, em 1992, onde tive
a certeza de que seria uma espécie de «cordeiro», entregue aos lobos quando a coisa
aquecesse.
Assim, apesar de ir confiando em
mim e das coisas terem esquentado e quase rebentado, que apesar de sentir
ingratidão e apesar de todos os dias desconfiar do tipo que se olhava ao
espelho na casa de banho, o certo é que os anos passaram-se e decorrem e seja
lá o que pensam ou deixam de pensar todos os dias quando deito a cabeça no
travesseiro durmo com a consciência tranquila. Enquanto sindicalista, enquanto polícia,
durmo de consciência tranquila.
O recente «roubo» de armas da
DN/PSP, os actos isolados de colegas que foram ou são condenados, os actos
concretizados por ainda suspeitos, provam-me que estive sempre certo.
Sempre defendi e defendo os Valores
da Integridade, da Isenção, da Imparcialidade e da Objectividade, contra tudo e
contra todos, inclusive contra o outro «eu», aquele «eu» que se imaginou a
praticar «loucuras» contra as «ameaças» momentâneas e que, ou por covardia ou
racionalidade, conseguiu serenar os ânimos mais revoltoso desse «eu» escondido,
camuflado que poucos conhecem.
Poucos anos faltam para deixar a
presente actividade policial e sindical, mas quero deixar bem claro para todos que
apesar da História muita vezes se esquecer de pequenos feitos, actos
individuais de anónimos, a PSP de Lamego, a cidade de Lamego, com ou sem
gratidão, terá sempre um pouco do trabalho autruista do meu «eu» sempre em pró de todos nós.
E, apesar de todas essas
contrariedades, ontem, ouvir uma outra frase, hoje, faz-me sorrir:
«Aquele polícia… com cara de mau, mas muito boa pessoa…».
«Aquele polícia… com cara de mau, mas muito boa pessoa…».

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