sábado, 19 de novembro de 2016

respect, respeito, respekt e respeto - somos quem somos, diferentes mas iguais.


Amigos, colegas, nos últimos tempos, perguntam-me com um sorriso sincero, se eu ando bem! Obviamente - responde-lhes que não. Não! Não ando bem…
Contudo, a vida não gira só à minha volta e sou demasiado insignificante para dar-me ao valor de olhar para mim. Assim, hoje, sinto que devo partilhar convosco uma história vivenciada por mim, sobre a vida militar e a irresponsabilidade que sempre lá existiu com a conivência de superiores hierárquicos que não dão Valor à Humanidade, à pessoa. É o que é.
A história parte por causa do que rodeia a morte dos dois comandos.
Quem me conhece desde puto, ser militar sempre foi um sonho. Brincava aos cowboys, aos tiros e esconde aqui e ali, cultivava a defesa pessoal, montei um saco de boxe no palhal e fazia aquilo que via fazer nos filmes… e sempre desenhei armas, aviões. A guerra seduzia-me. Contudo, em Coimbra quando fui à inspeção militar perdi a ideia da guerra...
Pedi para cumprir e nem entreguei as minhas habilitações literárias, frequentava o 12 ano.
Passando à frente, a recruta teve muitas peripécias, mas a história de hoje, remete-se ao meu primeiro dia em Faro, após juramento de bandeira em Elvas, como condutor CAR.
Todos os soldados, cabos e sargentos fizeram questão de nos dizer, a nós maçaricos, que só podíamos entrar no bar de praças, acompanhado de um “pronto” não maçarico. Aqui este artista, avesso a regras e a injustiças, à noite, entrou sozinho, ninguém quis acompanhar-me, pediu uma bebida, que foi recusada e, ou mas, apesar dos olhares de parvos daqueles “feijões-verdes” que por lá estavam, agarrados a garrafas de cerveja e a meter fumo para os pulmões. Sentei-me no sofá, onde descontraidamente, comecei a assistir à telenovela. Quando me sentei, verifiquei que todos os demais “prontos” que estavam no sofá, tipo mola, olharam para mim e para trás, e levantaram-se…
Assim, sentado, passado uns minutos, o meu pensamento perdeu-se a imaginar coisas pessoais que vocês não precisam de saber… distraído, desperto com um calor ligeiro, depois intenso e sinto uma dor aguda nas costas. Instantemente, salto do sofá e começo com as mãos a apagar o fogo que trazia preso entre as calças e pele e pelos das costas… resumindo, um esperto colocou um guardanapo, sem eu dar conta, entre as calças, junto ao cinto e camisa e pegou-lhe fogo.
Depois de apagado o “incendio”, sentir dor forte e cheirar a pele de “porco” queimada, perguntei a todos eles, os chamados “prontos”, que se mantinham a rir que nem uns tristes, indiferentes à minha situação. Eu queimado, eles riam-se!
Perguntei alto, sobre quem tinha sido o autor da proeza. Ninguém respondeu, mas todos continuaram a rir… no bar, estava sentado, 1 primeiro-cabo. Como era o mais graduado, dirigi-me a ele, mostrei-lhe as costas, camisa e calças queimadas e perguntei quem tinha feito aquela merda. Não respondeu e riu-se. Insisti. Levantou-se e riu-se. Em menos de um segundo, voava por cima da mesa por causa de um pontapé rotativo que o apanhou no peito e foi cair desamparado por em cima de outros jogadores de cartas que estavam noutra mesa… houve logo um outro cabo que teve o azar de me colocar a mão do ombro… e foi a voar até ao balcão… bem… ao fim de uns poucos minutos, silêncio no bar… entrava um sargento e um alferes, ali da zona da Guarda. Era o oficial dia, sargento dia… proferida a ordem acompanhei-os até ao gabinete, onde cá fora, sentado, via movimentos dentro do gabinete do oficial… Ordenaram-me que entrasse disseram-me que iria ser transportado para Elvas, para o presidio, porque tinha agredido um superior hierárquico! Se me assustei? Não.
Pedi para falar, o alferes deixou-me falar… descrevi o sucedido, mostrei os ferimentos e os danos e disse-lhe a olhar olhos nos olhos, que iria apanhar o “filho da puta” que me havia queimado e que iria levar tantas, mas tantas que nem a mãe o reconheceria no hospital, isto, se eu fosse para Elvas, bem como quem o estivesse a encobrir.
Telefonema para aqui, telefonema para ali…
Sai do gabinete, enquanto o 1º cabo, que estava sentado se levantou logo que me sentei ao lado dele…
Resumindo, depois da conversa da treta, dos Deveres, do RDM e daquele sermão todo, lá demos um cumprimento ou aperto de mão, uns aos outros… e lá fui para a camarata dos “maçaricos” e “prontos” onde entrei, aplaudido pelos “maçaricos” como o Herói a noite.
Conclusão, no dia seguinte fui destacado para o serviço de condutor da manutenção e e acabaram em Faro, isto durante o tempo que lá estive, as praxes aos “maçaricos” e as restrições de acesso ao bar e a fome que por lá se passava, entre os soldados...
Para finalizar, não tomem esta história como invenção, nem me julguem uma espécie de Rambo. Não. Sou apenas um ser humano frágil, temeroso mas que gosta de se dar ao respeitado e exige o mesmo de todos. Todos! Sem excepção.  

Bom dia.  

Sem comentários: