sexta-feira, 5 de setembro de 2008

AFINAL NÃO VEM E ESTÁ NAPSP QUEM QUER, SÓ QUEM PODE.

O concurso para admitir mil novos agentes da PSP está aquém das expectativas. Dos três mil candidatos, só 1070 (36%) passaram à fase seguinte, o que poderá condicionar o preenchimento das vagas prometidas pelo Governo.
Anunciado, em Março, como um dos principais pontos do programa estratégico de segurança do Governo, o processo para reforçar a PSP e a GNR com dois mil novos elementos não tem tido números muito animadores, pelo menos no que diz respeito à primeira força de segurança.
Segundo o JN apurou, a maior parte dos candidatos ao concurso para a PSP (cerca de 1930) não passou à fase final de selecção, ficando pelo caminho após a realização dos testes psicotécnicos, provas físicas e de saúde. Os que não "chumbaram" serão, agora, sujeitos às entrevistas de avaliação de perfil, para terem acesso às mil vagas disponibilizadas pelo Ministério da Administração Interna (MAI). Seguir-se-á o curso de formação, de nove meses. O JN tentou, sem êxito, saber o balanço relativamente ao concurso aberto para a GNR.
Contactado pelo JN, Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), considerou "preocupantes" os resultados conhecidos até ao momento. A começar pelas três mil candidaturas. "É muito pouco, se compararmos, por exemplo, com a década de 90, em que chegava a haver até 14 mil candidatos e, por vezes, 6000 passavam à última fase. Alguma coisa não está bem", afirmou.
Relativamente ao facto de apenas haver 1070 candidatos envolvidos na "disputa" pelas mil vagas prometidas pelo Governo, o dirigente sindical considera que tal poderá implicar "uma selecção menos rigorosa", para que não se corra o risco de alguns lugares ficarem por preencher.
"Desta forma, poderá haver uma redução dos níveis de exigência e de qualidade para entrar na PSP, numa altura em que é preciso melhorar em todos os sentidos para responder aos problemas de segurança", argumentou o dirigente, explicando a pouca afluência de cidadãos como um "reflexo" da falta de condições que marca o quotidiano da Polícia. "Hoje em dia, ser polícia não é uma profissão atractiva. Vive-se em permanente risco de vida; não se trabalha com condições dignas e o salário é ridículo. É preciso uma política séria de segurança", concluiu Paulo Rodrigues.
O JN pediu ao MAI esclarecimentos sobre o ponto da situação dos concursos de selecção para as duas forças de segurança e respectivos prazos, mas não foi dada resposta em tempo útil.
FONTE: Jornal de Notícias.

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