quarta-feira, 11 de outubro de 2017

... manifestação da coordenadora dia 12 de outubro de 2017


Ontem, um colega perguntava-me insistentemente porque não vou a Lisboa no dia 12 de outubro de 2017. Respondi-lhe que não irei por motivos de saúde. O que é meia verdade...

E, por ter adormecido a pensar nisso, só para quem me guarda algum respeito enquanto profissional e sindicalista, dizem que pela integridade que tenho defendido, e defenderei sempre, quer a minha PSP e o a minha ASPP, tenho a dizer-vos publicamente que devereis ir, fazei por ir, mas infelizmente, não eu não POSSO nem DEVO ir. É um PODER por razões de saúde e um Dever por questão de "palavra dada", o que iria contra todos os meus princípios, contra a minha consciência.

A manifestação, esta e as últimas, tem sido dirigidas às entidades erradas! Tem sido feitas fora de oportunidade e pior ainda, só tem mais beneficiado, os que ficam na "zona de conforto" - os senhores oficiais e chefes e dirigentes não policiais. Como sempre, a categoria dos agentes, a mão de obra da PSP, recebe migalhas. E, quando falo em migalhas, não falo em "dinheiro". Falo no Estatuto e no papel que tem dentro da PSP.

Quando observo oficiais da escola superior a convocar reuniões, somente para oficiais e chefes, a liberdade com que se movimentam e a exigência da diferença de subordinação, perguntei-me sobre o que raio andamos (ASPP/PSP) a fazer ao longo destes anos?

Pior ainda, com o meu passado profissional e sindical, é ser ultrapassado pela "esquerda", prejudicado na avaliação de serviço e passando a minha avaliação por várias entidades, nenhuma contrariou a avaliação do primeiro avaliador. Ou seja, a PSP que defendo, os profissionais que defendo, não me defendem, não me protegem, não sabem ser Justos.

Acresce dizer que, para mim, a actividade sindical sempre foi para mim o meu grito de independencia e liberdade e como diz a jornalista Ana Leal "temos cá um feitiozinho", não será agora com 25 anos de policia e 49 de idade que vou mudar.

Interrogar-se-ão, mas o que este idiota quer dizer com este palavreado todo? Colegas, quem quiser ir vai, quer não quiser ir, não vai! Ponto final.

Eu auto-determinei em não ir... por razões pessoais, somente.


terça-feira, 10 de outubro de 2017

é da minha vida que falo - outubro de 2017

No dia 30 de outubro faço 49 anos.
Em 1991 quando me decidi concorrer à PSP e GNR tinha no pensamento uma ideia, uma perspectiva. Iria fazer as provas, se entrasse entrava, se não entrasse não entrava. Sem stress...
Feitas as provas, entrei para a PSP. No dia 02 de fevereiro de 1992, entrei na EPP de Torres Novas e logo à entrada onde estava um futuro colega, disse-lhe que sabia nadar e tinha carta de motociclos. Fui enviado para Santarém. 
Em Santarém, devido às formaturas, continências e honras logo adivinhei que me tinha enganado na profissão. Nunca gostei de militarismo, de supremacia, nem de prestar vassalagem a ser humanos iguais. Para não cansar, vou resumir...
Nessa época a PSP, o Estado garantiu-me, para toda a vida, tenho isso escrito na brochura que me entregaram, uma percentagem de 25% no tempo de serviço para efeitos de aposentação, assistência médica gratuita para mim e familiares, outras prestações sociais, um conjunto de Direitos, designadamente, promoções, progressões. Já em 1997, 98 um senhor chamado António Costa apesar de quase passar despercebido, fez algumas «asneiras», mas chegados a 2005, um senhor de nome Zé Sócrates, então esse quase acabou com tudo o que tínhamos
de bom. Depois, bem depois veio o Passos e o Paulinho para acabar com o resto.
Estamos em 2017, 25 anos depois, tenho a certeza que fui «burlado» pelo Estado, mas como ainda o crime está em curso, nada posso fazer. 
Pelas regras que me prometeram e criei expectativas, em fevereiro de 2020, faço 36 anos de serviço (com percentagem dos 25%) pelo que assiste-me o direito a requerer a passagem à pré-aposentação, apesar do Zé ter mudado um (ou por um e). Nada disto é um prémio que o Estado me dá. É uma questão de Honra e gratidão pela disponibilidade permanente, pelo não pagamento do trabalho aos fins de semana, aos feriados, por não ter escala rotativa, por não ter higiene e segurança no trabalho, pelo ónus do risco, por tudo o que aos funcionários privados e públicos era remunerado, aos policias era gratuito. Ou seja, o Estado não pagava, mas compensava. Só que não pretende compensar... e isso vai irritar-me. Vou-me zangar.
Como já disse, o Zé Sócrates (desculpe mas as suspeitas sob os milhões fizeram-me perder-lhe o respeito) começou o que outro acabou.
No dia a dia sinto-me exausto (palavras de médicos especialistas) para a actividade policial, mas interrogo-me se esta exaustão não tem nomes, rostos e culpados? Claro que tem... e não sou eu.
E, esse dia de fazer julgamento está ao virar da esquina, e, acreditem, vou exigir o que me é de direito por mérito próprio adquirido em 1992.
Mas o mais grave é se o Governo aprovar o limite da sobrevivência nos 900 € mensais, caros amigos, então, enquanto policia, com os tais 25 anos, só aufiro mais 300 euros desse limite!
E, sou polícia... há 25 anos.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

É da minha e vossa vida que hoje falo - agosto de 2017

Sentado, o amigo aproxima-se e com ar cínico, pergunta-me: «mesmo de férias e andas com a arma? Vocês acham-se os maiores...». Como as consultas de psicologia, psiquiatria até estão a fazer efeito na minha gestão de emoções, nem liguei. Sentado, permaneci. O amigo, senta-se e manda vir dois cafés. "Um"- disse eu! "para mim descafeinado."
Como já não nos víamos há uns bons anos, ali estivemos a falar de "gajas", "futebol" e "carros". A conversa dos homens de "barba rija". Os outros falam de batons, roupas, lingerie, líquidos lubrificantes, das hemorróidas... Mas nós não. Aliás, falta-nos cabelo, mas a barba, apesar de branca ainda é lixa.
O pior da conversa foi o amigo regressar à questão da arma. Lá falou do caso Hernano, da "violação dos direitos dos animais" na Cova da Moura - sim direito dos animais, isso dos direitos humanos pra mim não tem significado porque somos animais. Há tantas sai-se com esta: " os policias deviam andar desarmados". "deviam ser como qualquer pessoa". Ainda lhe disse "se queria ir" ou se "queria que o mandasse ir à". Engoli em seco, a amizade já dura há cerca de 40 anos... é quase meio século.
Para não alongar-me no texto, pedi-lhe para entrar numa história, mas com seriedade e sem ironias nem gracinhas para fugir à resposta: como disse que sim, saiu esta história.

"Imagina que estás num centro comercial, de férias, acompanhado das tuas filhas e mulher. Encontras-me e cumprimentamos-nos, mas tal como hoje, observas que porto a minha arma pessoal, a minha Glock 26, por baixo da roupa. Enquanto, estamos a conversar ouves um estrondo. Observas que eu caio atingido mortalmente na testa. Vês sangue.. na tua roupa. Instintivamente, digo-te que vais ajoelhar-te ou deitar-te  no chão ou ficar estático em pé. Bloqueado. Os tiros começam a ouvir-se, novamente. Olhas para todo o lado visível observas um individuo - para não ferir susceptibilidade hoje vou dizer que é uma maluco - com uma arma semi-automática a disparar à toa ou indiscriminadamente contra tudo o que é pessoa, seja criança, mulher, homem, velho e etc. no corredor e a caminhar na tua direcção. Estou à tua frente, encostado às tuas pernas, morto, com a Glock à mostra, com carregador introduzido e municiado com 12 munições de 9 mm, pronta a ser retirada do aconsego do corpo, pegada e que seja premido o gatinho que disparará para onde for apontada o cano. O individuo aproxima-se de ti, das tuas filhas e mulher... não se vê policia e os que se vêm estão desarmados. O que vais fazer? Vais agir, reagir ou preferes morrer e ver morrer as tuas filhas?"
Resposta, "Nunca peguei numa arma. Nunca dei tiro? Deixas-me ver a tua arma?!..."

NÃO!



segunda-feira, 29 de maio de 2017

é da minha vida que falo - maio 2017

Na quinta feira uma cidadã fez-me uma pergunta simples: «sr. Santos, responda-me, acredita na Justiça?». Enquanto pensava numa resposta sensata para dizer, na brincadeira, respondi-lhe que naquele momento quem fazia perguntas era o policia e à senhora existia o dever de responder a todas as perguntas sobre os factos de quem tenha conhecimento directo.
A inquirição continuou…
«Não! Não acredito na Justiça, mas acredito em algumas pessoas que trabalham na Justiça.»
Surpreendida ou não, a resposta descontextualizada, porque entretanto a inquirição havia terminado e havia dado o tempo suficiente para uma resposta, a senhora sorriu e disse-me:«pensei que não me ia responder!». «Acha!» - respondi. «Não, aquilo que me disseram do sr. é que é frontal, sincero e demasiado honesto...». Esta do demasiado «honesto», deixou-me embebecido, mas adiante. Lá dei os meus argumentos, mas não convenci a srª. Ela não acredita na Justiça, nem as pessoas que trabalham na Justiça… foi claro, tal a amargura das suas palavras, cansadas de várias experiências relacionadas com uma regulação paternal, divórcio, violência doméstica.
Apesar de não acenar com um diploma de doutor, nem engenheiro, nem me arrogar chefe, oficial ou coisa que o valha, considero-me uma pessoa sensata, inteligente, interessada, motivadora, profissional, etc., etc., mas… estou exausto ou cansado!
Cansado de Querer e não Poder, cansado de me sentir impotente porque apesar da Vontade esbarro de frente com falta de meios humanos e materiais, com a pouca vontade da hierarquia política e alguma institucional, com a pouca vontade de alguns colegas que me dizem «o melhor serviço é o que fica por fazer», com a percepção da pouca vontade de colaboração prática de muitas pessoas que «eu não vi nada», «eu não sei nada», outras, «mentem...», «inventam», e, no final, os dias passam, envelheço no corpo, na mentalidade nas reacções emocionais e racionais.
Ontem, fiquei por Lamego,
Por volta das 11h00, até ao fim da tarde, levei com musica e missa emitida por colunas de som colocadas na mata dos remédios… a conduzir a minha viatura deparo-me com um palco, um obstáculo a cortar o arruamento da urbanização onde resido… e quando descia a EN 2 junto à escadaria uma fila interminável de viatura por causa de um problema de circulação de um pesado… cansado, exausto, encontrei um buraco para estacionar e estacionei. Fechei o carro e fui passear mais a mulher.
À noite, peguei no Código Penal e li... peguei em legislação especial e li… e tomei um decisão! Basta. Arrumei os livros, a capa com legislação avulsa e apaguei a luz e deitei-me.

«Não! Se não acredito na Justiça… também não acredito que isto vá dar um resultado prático de punição a alguém». Não, não vou me preocupar, nem valorizar…
Adormeci...

quarta-feira, 15 de março de 2017

é da minha vida que falo – parte II, 2017

As emoções estão ao rubro.
Desde há uns dias para cá que é um reboliço de pensamentos de parvoíces que assolam o pensamento. Os estímulos à volta são muitos. A maioria negativa. Assolam pensamentos para abandonar o barco… deixar de navegar por estes mares e pensar encontrar um porto de abrigo. No outro lado, vejo-me a rir como um palerma, a cair em pensamentos profundos de impotência, silêncios, um misto de sentimentos de frustração, a angústia de “prever” coisas antes destas acontecerem, apesar nunca saber “prever” o quê. Somente aquela desconfiança desconfiada de que algo não está certo… que as peças não encaixam no lugar certo, no puzzle…
Quando batemos de frente com as certezas, sentimos a impotência a dominar, a crescer e só apetece “meter num buraco fundo”, escondidos, sem ouvirmos mais nada nem ninguém. A impotência é tanta, porque não há adversário físico, não à forma de contornar o incontornável, porque essa inevitabilidade é intrínseca às pessoas e não há ninguém contra quem lutar. E, pudemos lutar, só lutamos dentro de nós… a frustração cresce, porque sabemos que “nós” estamos a navegar bem, no sentido certo, mas sabemos que o “vento forte” contraria o quanto sabemos, o quanto somos, o quanto estamos certos.
Enquanto este diferendo interno se gladia dentro de nós, no cérebro, face à realidade social em Portugal, a inevitabilidade surge à frente dos nossos olhos: se os policias são o espelho da sociedade, do que estávamos à espera? Eu respondo: que esse combate interno acabe!
As orientações politicas, os estatutos socioprofissionais os regulamentos disciplinares, a limitação de direitos, só vem provar que estamos certos e errados ao mesmo tempo.
Neste “caldo” social onde a falta de Valores começa a ser saliente, onde a Ética já não é o que nunca foi… aos poucos tudo se estraga.
Nunca teremos uma sociedade justa enquanto não houver LIBERDADE.

quinta-feira, 2 de março de 2017

é da minha vida que falo, 2017

Há uns anos um oficial de polícia disse-me literalmente isto:
«Não se dedique tanto à ASPP! Esqueça… os seus colegas não merecem o seu sacrifício.»
Confesso, naquela altura levei a mal aquele juízo do sr. Oficial, não pelo que disse, mas por ter também a certeza de que ele tinha razão, demonstrava-me, obviamente, com outra intenção, uma certeza que obtive logo ainda nos bancos da EPP em Santarém, em 1992, onde tive a certeza de que seria uma espécie de «cordeiro», entregue aos lobos quando a coisa aquecesse.
Assim, apesar de ir confiando em mim e das coisas terem esquentado e quase rebentado, que apesar de sentir ingratidão e apesar de todos os dias desconfiar do tipo que se olhava ao espelho na casa de banho, o certo é que os anos passaram-se e decorrem e seja lá o que pensam ou deixam de pensar todos os dias quando deito a cabeça no travesseiro durmo com a consciência tranquila. Enquanto sindicalista, enquanto polícia, durmo de consciência tranquila.
O recente «roubo» de armas da DN/PSP, os actos isolados de colegas que foram ou são condenados, os actos concretizados por ainda suspeitos, provam-me que estive sempre certo.
Sempre defendi e defendo os Valores da Integridade, da Isenção, da Imparcialidade e da Objectividade, contra tudo e contra todos, inclusive contra o outro «eu», aquele «eu» que se imaginou a praticar «loucuras» contra as «ameaças» momentâneas e que, ou por covardia ou racionalidade, conseguiu serenar os ânimos mais revoltoso desse «eu» escondido, camuflado que poucos conhecem.
Poucos anos faltam para deixar a presente actividade policial e sindical, mas quero deixar bem claro para todos que apesar da História muita vezes se esquecer de pequenos feitos, actos individuais de anónimos, a PSP de Lamego, a cidade de Lamego, com ou sem gratidão, terá sempre um pouco do trabalho autruista do meu «eu» sempre em pró de todos nós.
E, apesar de todas essas contrariedades, ontem, ouvir uma outra frase, hoje, faz-me sorrir:
«Aquele polícia… com cara de mau, mas muito boa pessoa…».

Gostei! Ilustre…
«se queres paz prepara-te para a guerra».

sábado, 21 de janeiro de 2017

o bombo...

Durante anos toquei primeiro viola no rancho de Moimenta da Beira e no espaço de meia dúzia de dias, semanas aprendi a tocar acordeão, por ouvido, há quem toque por "musica" todas as musicas do reportório do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Moimenta da Beira, grupo onde durante cerca de 12 anos por lá andei.
Quis o destino profissional que não fosse funcionário da Câmara de Moimenta da Beira e decidi-me aventurar na vida militar... aquilo não era vida para mim! Muitas ordens, muitos "bombos" e poucos músicos. Muito ruído, muito barulho, mas nada de musica harmoniosa.
Aventurei-me pela carreira policial...  onde conheci cada artista - conheço muitos!...
Em Santarém... deram-me música! Em Viseu, durante o estágio deram-me a ouvir Fado. Fui para Lisboa... e ali ouvi muitos géneros musicais...
Obviamente, não estou interessado em escrever sobre o bombo, nem músicos, nem musicas.
Ontem, um colega dizia-me coisa parecida com o facto "de eu ser uma espécie de bombo», mas a coisa boa é que eu tinha "consciência disso". 
Durante a noite recordei as palavras de um subcomissário "nunca deixes de ser como és..."
Pois, terminando esta minha divagação matinal, recordo-me dos meus tempos de musico e do bombo. Para quem não sabe, o bombo, é um instrumento que faz barulho...
Só que, numa orquestra, num conjunto musical, num rancho, em qualquer lugar onde se juntem instrumentos musicais e músicos, o bombo ou outro instrumento que o substitua é o único instrumento fundamental e essencial para determinar o compasso ou ritmo de todo um conjunto...
Se tocar baixinho... complica!
Se tocar acelerado, devagar coitado do maestro...
Se parar de tocar... desafino.
Mas se o tocador tocar alto, afinadinho, isso é bom...
O Bombo faz barulho, faz falta e sem ele não haveria Festa ou ouvidos que suportassem os ruidos descompassados ou fora de ritmo/ciclo.
«O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons.»

sábado, 31 de dezembro de 2016

chantagem... chantagem... até quando?

Um dia destes alguém com responsabilidades de comando, direcção numa conversa informal dizia-me que ou nos sujeitamos enquanto policias em Lamego ao material circulante que temos, viaturas velhas, com deficiências graves, ligeiras ou moderadas ou qualquer dia porque não há dinheiro e as viaturas que forem abatidas não são substituídas os policias ou a PSP terá que de andar a patrulhar e ocorrer a pedidos de "socorro", acidentes ou rotina, a pé.

Esta conversa, useiro e vezeiro, ouvi-a da mesma forma, com os mesmos argumentos, mas proferido por outro responsável há cerca de 6, 7 ou 8 anos atrás, mas sobre as instalações ou sobre o edifício que a PSP de Lamego ocupa, cedido pela Câmara Municipal a titulo de contrato por comodato, mas a justificação era a de que se fizéssemos muito barulho enquanto sindicato, o que podia acontecer era encerrar as instalações na cidade e a PSP sair daqui.

Recentemente, num perfil de um sr. deputado da nação, escrevi uma verdades - não escrevi mentira ou dei opinião, descrevi factos objectivos - e, insinuou que estava no limite da Ética e Deontologia.

O governo propõs à assembleia da república uma proposta de Lei n.º 46/XIII, sobre alteração da sindical da PSP, Lei 14/2002, a qual está em discussão pública até salvo erro o dia 20 de janeiro de 2017, local onde qualquer pessoa pode dar contributos.

No art.º 3º da proposta está escrito que "a actividade sindical dos policias não lhes permite" - corpo do n.º 3 -, na alínea a), «Fazer declarações(...) que violem os princípios da hierarquia de comando e da disciplina.»

Principio da hierarquia de comando (uma autoridade conferida por lei e pelos regulamentos da PSP em que um indivíduo tem para dirigir, controlar e coordenar) e da disciplina (na PSP consiste na exacta observância das leis gerais do País, das regras especialmente aplicáveis aos elementos da PSP e das determinações que de umas e outras legalmente derivem).

Aqui chegados, termina hoje o ano de 2016 e começa o ano de 2017.

O Futuro a Deus pertence, mas está escrito nas "estrelas" que a "chantagem verbal para a omissão", a "ameaça contra coisas que ainda nem sequer aconteceram", a "coacção moral de entender uma proposta como uma provocação" dos futuros sindicalistas, vai se intensificar no próximo ano e seguintes.

Há mudanças de paradigmas sociais, culturais, religiosos e políticos, enquanto nós os policias continuamos a ter lideranças com mentalidade parada no tempo: liderança politica e dirigente.

Em 2017 temos de ser um pouco mais "inteligentes" ou "espertos"...










sábado, 10 de dezembro de 2016

corrupção, vassalagem, hipocrisia, investigação criminal





Ontem, assisti, impávido, sereno a esta reportagem na RTP 3, programa Sexta às 11.
Resumindo toda esta problemática da corrupção, quer na forma quer no conteúdo, cheguei a um ponto da minha vida em que já posso dizer o que sinto sem pensar nas consequências visto desta vida não levarmos mais nada que a dignidade com que a vivemos. E afirmo, a corrupção está aí e veio para ficar...
Desta ladainha toda vertida por todos os personagens, vou contar-vos um caso verídico e depois cada um pense o que quiser.
Na PSP de Lamego, em 11 anos, suicidaram-se 1 comissário, 1 chefe e 1 agente principal foi condenado em trânsito em julgado no tribunal de Lamego, com pena suspensa... e porquê?

Durante este período de tempo, já depois disto ter acontecido, certo dia apareceu-me um (...) que me confrontou, supostamente num processo em fase de inquérito, averiguações, sei lá... nem sei nem quero saber, com uma carta anónima. A carta anónima tinha lá escrito coisas sem nexo, mas também lá tinha algum conteúdo... que precisava de ser espremido.
Obviamente, antes de responder a qualquer pergunta, assisti a uma espécie de aviso, ameaça indirecta, sobre "aquilo que devia ou não de dizer", um acto de puro atentado à minha inteligência, já levo uns anitos disto e confesso só sou ingénuo e "burro" quando me interessa SER!
Fui questionado apenas com duas perguntas: "sabe quem escreveu esta carta anónima" - "tem conhecimento da prática de algum crime"... só isso!
Não sei, nem me interessa as conclusões desse processo.

Ontem, ao ouvir o "fel" com que o advogado acima falou da PJ, acho que de facto se não houver mudanças na investigação judicial e criminal, comprovadamente, tive a certeza absoluta que em Portugal a justiça é um faz de conta.

Tal como naquele dia, a Justiça, o legislador, o Estado não quer que se investigue a "mensagem", quer que se puna o mensageiro.

Caso contrário... dava os meios, a autonomia a quem deve investigar...

E isso leva-nos a outra questão: porque raio a investigação criminal está dispersa por várias policias, todas elas com o DEVER de cumprirem as mesmas regras do Código Processo Penal, mas à PJ e ao DIAP é dado um "poder absoluto" e à GNR, PSP somente um "poder relativo"?

Eu dou várias hipoteses... mas estou em hibernação.


sábado, 19 de novembro de 2016

respect, respeito, respekt e respeto - somos quem somos, diferentes mas iguais.


Amigos, colegas, nos últimos tempos, perguntam-me com um sorriso sincero, se eu ando bem! Obviamente - responde-lhes que não. Não! Não ando bem…
Contudo, a vida não gira só à minha volta e sou demasiado insignificante para dar-me ao valor de olhar para mim. Assim, hoje, sinto que devo partilhar convosco uma história vivenciada por mim, sobre a vida militar e a irresponsabilidade que sempre lá existiu com a conivência de superiores hierárquicos que não dão Valor à Humanidade, à pessoa. É o que é.
A história parte por causa do que rodeia a morte dos dois comandos.
Quem me conhece desde puto, ser militar sempre foi um sonho. Brincava aos cowboys, aos tiros e esconde aqui e ali, cultivava a defesa pessoal, montei um saco de boxe no palhal e fazia aquilo que via fazer nos filmes… e sempre desenhei armas, aviões. A guerra seduzia-me. Contudo, em Coimbra quando fui à inspeção militar perdi a ideia da guerra...
Pedi para cumprir e nem entreguei as minhas habilitações literárias, frequentava o 12 ano.
Passando à frente, a recruta teve muitas peripécias, mas a história de hoje, remete-se ao meu primeiro dia em Faro, após juramento de bandeira em Elvas, como condutor CAR.
Todos os soldados, cabos e sargentos fizeram questão de nos dizer, a nós maçaricos, que só podíamos entrar no bar de praças, acompanhado de um “pronto” não maçarico. Aqui este artista, avesso a regras e a injustiças, à noite, entrou sozinho, ninguém quis acompanhar-me, pediu uma bebida, que foi recusada e, ou mas, apesar dos olhares de parvos daqueles “feijões-verdes” que por lá estavam, agarrados a garrafas de cerveja e a meter fumo para os pulmões. Sentei-me no sofá, onde descontraidamente, comecei a assistir à telenovela. Quando me sentei, verifiquei que todos os demais “prontos” que estavam no sofá, tipo mola, olharam para mim e para trás, e levantaram-se…
Assim, sentado, passado uns minutos, o meu pensamento perdeu-se a imaginar coisas pessoais que vocês não precisam de saber… distraído, desperto com um calor ligeiro, depois intenso e sinto uma dor aguda nas costas. Instantemente, salto do sofá e começo com as mãos a apagar o fogo que trazia preso entre as calças e pele e pelos das costas… resumindo, um esperto colocou um guardanapo, sem eu dar conta, entre as calças, junto ao cinto e camisa e pegou-lhe fogo.
Depois de apagado o “incendio”, sentir dor forte e cheirar a pele de “porco” queimada, perguntei a todos eles, os chamados “prontos”, que se mantinham a rir que nem uns tristes, indiferentes à minha situação. Eu queimado, eles riam-se!
Perguntei alto, sobre quem tinha sido o autor da proeza. Ninguém respondeu, mas todos continuaram a rir… no bar, estava sentado, 1 primeiro-cabo. Como era o mais graduado, dirigi-me a ele, mostrei-lhe as costas, camisa e calças queimadas e perguntei quem tinha feito aquela merda. Não respondeu e riu-se. Insisti. Levantou-se e riu-se. Em menos de um segundo, voava por cima da mesa por causa de um pontapé rotativo que o apanhou no peito e foi cair desamparado por em cima de outros jogadores de cartas que estavam noutra mesa… houve logo um outro cabo que teve o azar de me colocar a mão do ombro… e foi a voar até ao balcão… bem… ao fim de uns poucos minutos, silêncio no bar… entrava um sargento e um alferes, ali da zona da Guarda. Era o oficial dia, sargento dia… proferida a ordem acompanhei-os até ao gabinete, onde cá fora, sentado, via movimentos dentro do gabinete do oficial… Ordenaram-me que entrasse disseram-me que iria ser transportado para Elvas, para o presidio, porque tinha agredido um superior hierárquico! Se me assustei? Não.
Pedi para falar, o alferes deixou-me falar… descrevi o sucedido, mostrei os ferimentos e os danos e disse-lhe a olhar olhos nos olhos, que iria apanhar o “filho da puta” que me havia queimado e que iria levar tantas, mas tantas que nem a mãe o reconheceria no hospital, isto, se eu fosse para Elvas, bem como quem o estivesse a encobrir.
Telefonema para aqui, telefonema para ali…
Sai do gabinete, enquanto o 1º cabo, que estava sentado se levantou logo que me sentei ao lado dele…
Resumindo, depois da conversa da treta, dos Deveres, do RDM e daquele sermão todo, lá demos um cumprimento ou aperto de mão, uns aos outros… e lá fui para a camarata dos “maçaricos” e “prontos” onde entrei, aplaudido pelos “maçaricos” como o Herói a noite.
Conclusão, no dia seguinte fui destacado para o serviço de condutor da manutenção e e acabaram em Faro, isto durante o tempo que lá estive, as praxes aos “maçaricos” e as restrições de acesso ao bar e a fome que por lá se passava, entre os soldados...
Para finalizar, não tomem esta história como invenção, nem me julguem uma espécie de Rambo. Não. Sou apenas um ser humano frágil, temeroso mas que gosta de se dar ao respeitado e exige o mesmo de todos. Todos! Sem excepção.  

Bom dia.  

sábado, 5 de novembro de 2016

A verdade da mentira - sindicatos na PSP.

Desde já, e começando pelas conclusões, não vou cumprir o que estava apostado em fazer porque, sinceramente, perdi a vontade.
As coisas por cá são como são e por muitas verdades que eu vá escrever, sei de antemão que para a maioria dos portugueses e para os leitores do Blog e Facebook, valerá sempre mais uma mentira escrita por “individualidades”, doutores … que mil verdades proferidas por um “zé ninguém” que apenas é um SER, SABE ESTAR e gosta de SABER.
Então, podia na PSP, no período de 09 de maio de 1985 a 20 de setembro de 1997, existir sindicatos? Sim. Ponto final parágrafo. Porquê. Vou-vos dar as ferramentas para quem quiser lá chegar… mas vão ter o trabalho ler mais um bocadito...
Em Portugal, a Lei Superior das leis, decretos, portarias e afins é a Constituição, neste caso, vamos centrar as nossas atenções, no famoso art.º 270º.
Nenhuma outra norma legislativa, administrativa ou orientações internas dos serviços, sejam públicos ou privados, publicada ou proferida verbalmente pode contrariar os princípios, sob pena de inconstitucionalidade, acto nulo ou abuso/desvio de Poder, vincula tudo e todos. Pelo menos DEVIA…
Também em Portugal, todas as leis devem ser interpretadas de acordo com as regras previstas no Código Civil, art.º 9º e seguintes.
Aqui chegados o que dizia o art.º 270 da CRP no dia 19 de setembro de 1997:« A lei pode estabelecer restrições ao exercício dos direitos de expressão, reunião, manifestação, associação e petição colectiva e à capacidade eleitoral passiva dos militares e agentes militarizados dos quadros permanentes em serviço efectivo, na estrita medida das exigências das suas funções próprias».
No dia 20 de setembro, já dizia o texto: « A lei pode estabelecer restrições ao exercício dos direitos de expressão, reunião, manifestação, associação e petição colectiva e à capacidade eleitoral passiva dos militares e agentes militarizados dos quadros permanentes em serviço efectivo, bem como por agentes dos serviços e forças de segurança, na estrita medida das exigências das suas funções próprias.»
No dia 12 de dezembro de 2001, o art.º 270º é alterado e publicado na 5ª Lei Constitucional, a lei travão da actual Lei Sindical da PSP, com o seguinte texto: «, na estrita medida das exigências próprias das respectivas funções,» entre «estabelecer» e «restrições»; a expressão «das» entre «e» e «forças»; e é substituída in fine a expressão «na estrita medida das exigências das suas funções próprias» por «e, no caso destas, a não admissão do direito à greve, mesmo quando reconhecido o direito de associação sindical», passando o preceito a ter a seguinte redacção: «A lei pode estabelecer, na estrita medida das exigências próprias das respectivas funções, restrições ao exercício dos direitos de expressão, reunião, manifestação, associação e petição colectiva e à capacidade eleitoral passiva por militares e agentes militarizados dos quadros permanentes em serviço efectivo, bem como por agentes dos serviços e das forças de segurança e, no caso destas, a não admissão do direito à greve, mesmo quando reconhecido o direito de associação sindical.»
Pronto, a questão da CRP está esclarecida, releiam o texto a vermelho (sou benfiquista)…
Agora, vamos centrar-nos na Lei Orgânica ou organização da Policia de Segurança Pública, designadamente, por PSP.
Em 31 de dezembro de 1953 o capitulo I, Secção I, art.º 1º do Decreto-lei n. 39 496, dizia: « (…)É organizada por este diploma a Polícia de Segurança Pública, que constitui um organismo militarizado, dependente do Ministério do Interior.»
Em 1985, aparece o Decreto-lei 151/85, 9 de maio, que revoga o atrás referido, o qual diz no art.º 1 «A Polícia de Segurança Pública, designada abreviadamente pela sigla PSP, é uma força de segurança que visa (…)»
Terminando por aqui, ficará um gosto amargo na boca de alguns leitores. Então, isto quer dizer o quê?
Dando a minha opinião pessoal que reflecte o meu pensamento desde que sentado num banco do polo da EPP em Santarém, em 1992 prestei atenção ao instrutor de direito constitucional, penal e processo penal, na PSP, nas forças armadas e na sociedade portuguesa, há um conceito que nem todos podem pensar por si próprio. Não interessa pessoas “inteligentes” que reflectiam. Que questionem. E, com essas ferramentas, quando confrontado com as leis restritivas dos meus direitos, comecei a questionar. E não foi preciso questionar muito… houve uma janela de oportunidade entre 1985 e 1997 ou 2001, para haver sindicatos na PSP. E, não houve sindicatos em 1984, porque um secretário de estado do trabalho abusou dos poderes «por vício de usurpação de poderes do Tribunal, ao recusar o Registo da “Associação dos Profissionais da PSP», hoje, ASPP/PSP.
Só por curiosidade o secretário de estado pertencia ao IX Governo Constitucional 1983-1985 – cujo Primeiro-ministro era Mário Soares.
Sempre critico – José Santos – secretário de divisão da ASPP/PSP

Legislação principal:
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA
CÓDIGO CIVIL PORTUGUÊS
Decreto-lei n.º 39 496, de 31 de dezembro de 1953;
Decreto-Lei n.º 151/85, de 9 de Maio.
Legislação complementar: Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 10 de dezembro de 1948 (art.º 23º, n 4)
http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001394/139423por.pdf
Convenção Europeia dos Direitos do Homem, ratificada pela Lei 6/78, de 13 de outubro (art.º 11). http://www.gddc.pt/direitos-humanos/textos-internacionais-dh/tidhregionais/conv-tratados-04-11-950-ets-5.html
Convenções n.º 87 e 151 da OIT.
http://direitoshumanos.gddc.pt/3_10/IIIPAG3_10_1.htm
http://www.gddc.pt/direitos-humanos/textos-internacionais-dh/tidhuniversais/emp-conv-oit-151.html Pacto Internacional sobre os direitos civis e políticos.
http://www.gddc.pt/direitos-humanos/textos-internacionais-dh/tidhuniversais/cidh-dudh-direitos-civis.html 
Carta Social Europeia.
http://www.gddc.pt/direitos-humanos/textos-internacionais-dh/tidhregionais/rar64A_2001.html Acórdão n.º 103/87 – Processo n.º 7/83 – Tribunal Constitucional. http://www.tribunalconstitucional.pt/tc/acordaos/19870103.html

sábado, 15 de outubro de 2016

Numa recente e inopinada reunião – pisar o tapete – um superior hierárquico caracterizou-me de inteligente! Teve o cuidado de referir que eu não era “esperto”, mas era muito, muito “inteligente”… nunca saberei se foi um elogio ou uma verdadeira valorização do meu Valor profissional ou uma ironia, um eufemismo para não me descrever intelectualmente com outro adjetivo ou substantivo ou nome comum. Adiante… Após uma noite normal, como é normal, apesar de estar de folga, acordei e levantei-me com vontade de ir trabalhar, de forma voluntária. Contudo, por ironia do destino recordei-me do episódio que serviu de introdução a este texto e de dois acontecimentos nos meus tempos de aluno na escola secundária de Moimenta da Beira. Enquanto estudante, andam por aqui muitos meus amigos de aulas que estão autorizados a desmentirem-me, as minhas disciplinas preferidas sempre foram, por ordem, Desenho, Biologia e Matemática. Contudo, por força da incompetência de muitos professores e obstinação obcecada da minha oposição quando não gosto… a partir de certo momento deixei de gostar de estudar. Não sei porquê. Simplesmente… ou porque o resultado final das notas não correspondia às espectativas, por causa das hormonas, por causa de fatores emocionais ou psicológicos, desinteresse… não sei. Uma coisa sabia, não gostava de copiar. Não copiava… Para não divagar, relato dois episódios: na realização de um teste, também não tinha estudado para a disciplina, na sala, vi que toda a gente usava copianço, abriam o livro… folhas saiam das secretárias… o professor sentado, lia o jornal aparente, alheio… eu… simplesmente assinei o nome no enunciado, levantei-me e entreguei o teste sem responder a nada… levei zero! Os outros, apesar de… as notas rondaram em média, os 11, 12 valores. O outro episódio, nunca me esqueço, 3º período, penúltimo teste, disciplina de Biologia, 10 ano. Na noite anterior, não sei porquê, lembrei-me de estudar. O teste foi fácil, fiz tudo, sai antes de todos… cá fora todos reclamavam da dificuldade do teste. Vieram as notas. Salvo erro tive mais de 16 valores… e os “inteligentes” da turma, tiveram notas muito baixas, inclusive negativas. A entrega do meu teste ficou para o fim. A professora acusou-me de ter copiado. Fui ao quadro e, no quadro, respondi sem qualquer problema à correção do teste. Apesar de, a professora, decidiu “anular” o teste… no final do ano levei 10 valores, supostamente, porque «… o Jesus andou a brincar o resto do ano». Hoje, apesar da vontade de ir trabalhar, decidi não ir porque perdi a vontade… após ler mais um Despacho, interno da PSP, que me foi enviado pelo meu sindicato sobre compensação dos créditos horários além do trabalho normal e porque regressei aos tempos de escola… Mudam-se os actores, mudam-se os tempos, mas as injustiças, continuam a ser praticadas impunemente e de forma a desfazer a Moral, a Vontade a qualquer pessoa que se sente. E, sendo a PSP um espelho da sociedade, revejo nas medidas do Governo e dos partidos que o apoiam, uma vítima de mais injustiças. É só injustiças… A sociedade, os decisores, o “poder”, “lixa” quem é honesto, íntegro e vertical e quem “aldraba”, quem “se balda”, o “chico esperto”, enquanto o nosso sistema permitir é sempre recompensado, mais que não seja, com uma descriminação positiva. Pois… sendo “inteligente”, “esperto” ou o que quiserem chamar-me, hoje, porque estou de folga, vou ficar em casa, viver o dia a dia com a família, viver para mim… e os verdadeiros “inteligentes” que sejam “espertos”. Para que não restem dúvidas… hoje, tal como sempre numa aprendizagem permanente adotei desde criança o lema: SABER SER, SABER ESTAR e SABER. Ah… e para que não restem dúvidas serei um eventual futuro sr. dr. quando decidir terminar o ensino superior e continuarei a não usar copianços ou subir às custas do trabalho, estudo de outros! José J. Santos - dirigente ASPP/PSP

terça-feira, 30 de agosto de 2016

tolerância portuguesa até certo ponto

Criticam-me que por vezes escrevo os meus textos e que estes são confusos. Ora, hoje tentar ser objectivo… linguagem familiar e leiam até ao fim. Este domingo fui à praia. Fui de carro. Paguei portagens. Estacionei o carro num arruamento na praia da Barra – Aveiro. Peguei na troxa, guarda-sol, para-ventos, enquanto a dona e a herdeira levaram o “mata-bicho”. Na praia queria ir para a direita, a dona escolheu um lugar logo à saída do passadiço. Assentamos a barraca. Coloquei os para-ventos, o guarda sol. Troco as cuecas ou os "trusses", "boxers" pelos calções de banho. Estendo a toalha e zás, deitado. Pego no jornal e começo a desfolhar passando logo à frente as primeiras páginas porque era só futebol, futebol… adiante. Ao desfolhar o jornal deparo-me com uma noticia sobre o “burquini” e as proibições e não proibições lá para França. Levanto-me e começo a olhar à minha volta. É uma diversidade de cores, guarda sóis de diversas cores, corta-ventos de várias cores… e mulheres e homens vestidos de roupa de praia ou roupa normal. Num desses lados, uma família cá do norte. O homem com chapéu daqueles que usa nos ranchos folclóricos, com feltro, sapatinho preto, meias e ceroulas! Áh Homem. «o que mata o frio mata o calor». Camisa de flanela… A mulher, vestia negro, não se lhe viu-a uma ponta de pele, excepto as mãos e cara. Mais ao lado, mulheres de fatos de banho, de biquini, vestidas com estas novas roupas modernas, roupa leve, umas mais vestidas outras menos vestidas, descalças, calçadas, uns a correr, outros a jogar futebol e ténis. Enfim… aquilo que todos vós observais quando ides à praia. Dei graças… não vi ninguém a reclamar das roupas, não vi ninguém a reclamar calçado, cada um à sua maneira lá estavam ocupados uns com os outros, ou sozinhos. Voltei a dar graças à sorte que tenho em viver em Portugal. A sorte ea viver num País de ladrões, refiro-me aos políticos que nos desgovernam desde 1974, aos maus políticos, e de viver com este Povo, diverso, tolerante até certo ponto, mas alheio. Não digo que os velhotes, criticassem aquela morena boazona que passou a abanar-se toda, com quase tudo à mostra menos os bicos do peito e a “passarinha”, nem as velhotas aqueles machões com músculos à base de proteína e aminoácidos, cheios de tatuagens e piercings. No fundo o conservadorismo reina dentro de nós. Custa é deitar cá para fora. Voltei a dar graças a tolerância. E, principalmente, agradeço a sorte da vista da paisagem ter sido agradável por mesmo à nossa frente, estar deitada numa toalha, uma jovem, com cuecas do biquíni e… maminhas à mostra!... Dei graças por não ter aparecido nenhum polícia marítimo, nem um religioso, nem padre ou fundamentalista ou freira dos costumes, bater na jovem, ordenar que se vestisse ou coisa pior. Gosto de ser Português em Portugal.

sábado, 20 de agosto de 2016

a passo de caracol a caminho do stress

Hoje, sinto necessidade de escrever… de nada adiantou os murros no saco de boxe, a caminhada, nem a medicação parece querer fazer efeito. Desde que regressei do meu normal período de férias, não tenho, digamos, descansado. O trabalho acumulou e a dedicação empenhada a que me dedico em todos os inquéritos que faço, faz-me viver cada um de forma intensa, absorvendo muita da minha energia, porque humanamente é impossível fazer tudo o que tenho de fazer sem “estourar” e pelos vistos pouco importa reclamar ou esperar dias melhores. Apesar de tudo, dedico-me, empenho-me… tento levar as coisas na brincadeira. A juntar a isso tudo, olho para cima, quando afirmo para cima, é para cima mesmo, o que vejo: calma, descontracção, dizem-me para não me preocupar, para não me chatear, para deixar andar… para estragar tudo, apareceu alguém que me comparou a “um cão de fila”, no sentido irónico, não levei a mal, aliás tinha preferido que me comparasse a “pastor alemão”, mas tá bem, simplesmente porque afirmei “verdades”, não as camuflei, porque chamo o nome aos bois. Recordo-me, em 2003 quando fui “castigado” e colocado na Secção de Inquéritos, da Divisão de Lamego, de encontrar uma sala minúscula, com processos amontoados, em pilhas, em cima de uma mesa e numa estante de um armário. Bom aluno que sempre fui perante bons professores, escutei e escrevi tudo aquilo que o agente Saraiva dizia… anotava tudo, aliás, sempre anotei tudo, quer numa agenda, quem em bloco de apontamentos, desde que em 1992 estagiei em Viseu. O castigo motivou-me e assim, após uns meses, adoptei o meu estilo. Iniciei uma simplificação do trabalho. Aligeirei procedimentos, automatizei documentos de forma a preencher automaticamente através de campos do word os diversos formulários, ganhando tempo… com o ganho de tempo e eficácia… reduzi o tempo das inquirições… o papel foi-se reduzindo… ao fim de uns meses… resumia-se tudo a uns pequenos montes de papel. Perante isto tudo, tive ajuda do falecido comissário Guedes da Silva, que na altura me deu autonomia até nos documentos que deviam ser assinados por ele, para eu assinar por ele, para simplificar, para fazer aquilo que ele elogiou numa reunião “o sr. Santos está a fazer um serviço limpo”. Ao fim de uns anos, estamos em 2016, vejo-me perante um cenário diferente. Em vez de continuar a simplificar-se procedimentos, para a eficácia, regressam os velhos métodos de burocracia sem sentido, da cadeia hierarquizada, que complica e atrasa… associado a constrangimentos informáticos que não compreendo… Temos velhos computadores, temos constrangimentos na rede informática, temos computadores a “mastigar” e, nós, sem alternativa, feitos parvos a olhar para um ecran e agora não posso fazer nada. Só reclamar… dar murros na mesa… sentir a cabeça a estourar devido à impotência perante uma máquina a que um dia se chamou “computador”. Lembro-me de em 2004 para conseguir trabalhar, ter instalado umas memórias RAM no “meu” computador de trabalho, de ter trazido um teclado de casa, um rato e outros equipamentos… a máquina apesar ao tempo de ser velha, era um Ferrári… Hoje, não se pode fazer isso… porque tudo está ligado por uma rede informática e existe o SEI… e só autorizam equipamento do Estado. A vida são dois dias, um já passou e tenho de aproveitar o próximo.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

terrorismo... terror... medo... outra perspectiva.

Ao longo dos meus 40 e tal anos de vida aprendi que a prevenção é essencial em tudo na vida. Mais tarde, quando frequentava o primeiro trimestre do curso de engenharia informática e telecomunicações, na disciplina de fundamentos de programação, encontrei a designação certa para aquilo que sempre fazia, mas não tinha nome: encontrar formas de resolver um problema através de uma coisa que se chama Algoritmo. Ora, na vida, temos tendência a complicar o que é simples: um individuo não sabe nadar, não tem colete de salva vidas, mesmo assim sem medir os prós e contras, deita-se deita-se à água... chama-se os bombeiros, o INEM, mas estes demoram muito tempo... há um conjunto de problemas, mas no final abre-se inquéritos, atribuísse culpas a todos, menos ao estúpido que sabia que sabia que não sabia nadar, mas mesmo assim entrou na água... Voltemos ao terrorismo... Desde que há Humanidade, o Homem fez, causa, sofrimento aos outros, de variadíssimas formas mas todas como finalidade para atingir um fim. No inicio matou-se por ciume... matou-se por mulheres... por terra... por dinheiro... por loucura... por religião... Basta pegar na Bíblia e só se lê MORTE, MORTE... Há actualmente um paradigma: queremos lutar contra as formas de TERROR ou fazer de conta que lutamos? Obviamente, muitos fazem de conta. De manhã ouvi todos os canais de informação a dizer que A, B e C enviaram condolências, manifestaram isto e aquilo, sobre o que se passou em NICE. Contudo, um ingénuo cidadão português, sentado na cama, reflecte: «então mas isto é a realidade diária há milhares de anos em GAZA, na PALESTINA, em Israel, há centenas na Europa, na América, na Ásia...» Lá ouço mais uma vez o Nuno Rogeiro, o General A e B... tanta verborreia, tanta sabedoria, tanto conhecimento... e lá ouço mais uma vez o Presidente Hollande, a «França c´est fort»... Forte ou fraco, sem por experiência pessoal e profissional, que a segurança é uma utopia! Nunca é perfeita, nem nunca será... podemos evitar riscos, claro que podemos, como, antes deles acontecerem... E, sem reclamar, sem pormenorizar digo como: apostar na Educação, nas forças de Segurança Interna e Externa e na realização da Justiça. Tudo o mais que disserem, é retórica, mentira e farsa ou manipulação intelectual e pensamento das pessoas. Desde sempre que me recordo admiro o Povo de Israel... não tivesse chorado lágrimas quando assisti à serie Holocausto e quando li 3 volumes sobre a 2 Grande Guerra. É como digo: tenho 24 anos de policia, fui militar no exército portugues durante 13 meses, durante 5 anos protegi as residencias de altas individualidades portuguesas e o sr. embaixador de Israel. Sei como, quando e de que forma é feita a segurança a eles e a nós... E, lamentalmente, não abdico de começar por me defender primeiro a mim... ou seja, se eu não me proteger como poderei proteger outros? Se eu não tenho meios para me defender, como posso defender outros? Meditem e depois chegarão a algumas respostas... terei que ficar por aqui. Verbalizando Moita Flores: «Qualquer pessoa Mata... desde que seja levado a isso». Citou isto em Lamego. Ainda agora acabei de escrever algo no facebook, a seguir, fui bloqueado, mas aqui fica: «Pois não... infelizmente... os que morreram há muitos anos através da inquisição... os Povos que foram dizimados por Portugal e Espanha para lhes levar Cristo... já no século 20 os atentados na Alemanha, em Israel, em Gaza, em Londres, em Espanha, em França, nos EUA, em África etc.... por todo o lado também não se revêm no que escrevo... Muitos andam demasiados distraídos e a pensar que as coisas só acontecem aos outros ou a pensar muito alto quando tudo é simples: motivação humana individual ou colectiva...»